Porto Alegre, domingo, 26 de Outubro de 2014

  • 03/04/2014
  • 14:14
  • Atualização: 14:24

Após 27 anos, Japão deixa de caçar baleias na Antártica

Corte Internacional de Justiça (CIJ) ordenou que o país asiático colocasse fim à prática

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  • AFP

O Japão renunciou a sua caça anual de baleias na Antártica pela primeira vez em 27 anos, depois que a Corte Internacional de Justiça (CIJ) ordenou que colocasse fim a esta prática, anunciou nesta quinta-feira a Agência de Pesca.
"Decidimos cancelar nossa campanha de pesquisa sobre as baleias na Antártica no ano fiscal que começa em abril, devido à decisão recente da justiça", explicou à AFP um funcionário da agência.

No entanto, o país seguirá caçando baleias em outras zonas, em particular no Oceano Pacífico norte, acrescentou a fonte.
Na segunda-feira a CIJ, com sede em Haia, determinou que o programa científico da Antártica oculta uma atividade comercial, razão pela qual Tóquio deve revogar as atuais licenças para a captura de baleias.

A Austrália, com o apoio da Nova Zelândia, levou o Japão à CIJ em 2010 em uma tentativa de colocar fim a estas práticas na Antártica.

Tóquio recorreu a uma artimanha legal após a proibição de 1986, dotando o programa de um interesse científico para poder seguir matando estes cetáceos com fins comerciais.

A próxima campanha na Antártica deveria começar no fim deste ano. A última terminou no mês passado.

Segundo as autoridades australianas, o Japão capturou mais de 10 mil exemplares entre 1987 e 2009.

Uma indústria em plena decadência
Na quarta-feira, o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, declarou que seu governo obedeceria à decisão da Corte, mas acrescentou que a sentença era "uma pena e estou profundamente decepcionado".

"A carne de baleia é uma fonte importante de alimentação, e a posição do governo de utilizá-la com base em fatos científicos não mudou", afirmou o ministro japonês da Agricultura, Florestas e Pesca Yoshimsa Hayashi em uma coletiva de imprensa na terça-feira, em resposta ao veredicto da CIJ.

No entanto, Shohei Yonemoto, palestrante convidado de ecologia global e bioética na Universidade de Tóquio, afirmou que esta decisão dará às autoridades japonesas uma forma conveniente de abandonar uma atividade deficitária e controversa. "O Japão não deveria perder esta oportunidade de utilizar a resolução como uma desculpa para revisar completamente seu programa baleeiro salvando as aparências", declarou à AFP.

Já Hisayoshi Mitsuda, professor de sociologia do meio ambiente na Universidade Bukkyo de Kioto, acrescentou: "Financeiramente, a caça de baleias não é rentável. Trata-se de uma indústria em plena decadência".

O Japão tem, no entanto, outro programa baleeiro que escapa da proibição.

Três países - Japão, Noruega e Islândia - utilizam objeções ou exceções para continuar caçando baleias, uma prática que, segundo os observadores, custa a vida de mais de 1.000 exemplares anualmente.

O Japão é o único país que caça baleias com uma autorização científica.

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