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04/04/2014 17:59 - Atualizado em 04/04/2014 18:54


Bombeiros teriam incentivado civis a fazer resgates na Kiss, diz vítima

Testemunha contou que policial chegou a dar lanterna para seu irmão durante a tragédia

Vítimas afirmou que bombeiros teriam incentivado civis a fazer resgates<br /><b>Crédito: </b> André Ávila
Vítimas afirmou que bombeiros teriam incentivado civis a fazer resgates
Crédito: André Ávila
Vítimas afirmou que bombeiros teriam incentivado civis a fazer resgates
Crédito: André Ávila

Bombeiros teriam incentivado civis a resgatarem feridos do interior da boate Kiss, segundo relato de uma das vítimas. Deuvane Rosso prestou depoimento nesta sexta-feira à Justiça em Santa Maria, no centro do Estado, e afirmou: “Meu irmão fez o trabalho deles”.

De acordo com o estudante, um policial chegou a dar uma lanterna para seu irmão Giovane Rosso entrar várias vezes na casa noturna e regatar os clientes. “Ele não via os bombeiros entrar e pedia ajuda. Davam água e incentivavam que voltasse até que ele perdeu o fôlego”, informou. “O isolamento só foi feito depois que não havia mais chance de alguém estar vivo”, observou.

Deuvane relatou que estava com seis amigos na área VIP da boate, quando frequentadores começaram a gritar “fogo”. Ele seguiu o fluxo de pessoas e desmaiou perto da porta. “Acordei quando me jogaram na calçada. Fiquei
gritando e agonizando”, lembrou. O depoimento emocionou mães de jovens mortos na tragédia, que acompanhavam o terceiro dia de audiências desta semana no Foro da Comarca de Santa Maria. O rapaz teve 50% do corpo queimado e se recuperou dos ferimentos na UTI do Hospital de Pronto Socorro (HPS) de Porto Alegre.

Segurança teria feito sinal para clientes ficarem próximo à parede

Ao ser questionado pela assessoria de acusação se acreditava que a vida dele esteve em risco na Kiss, Deuvane respondeu positivamente, assim com as demais vítimas que prestaram depoimento. Betina Camargo acrescentou que um segurança fez sinal para os clientes ficarem próximo à parede oposta à saída, quando começou o incêndio. Em princípio, ela pensou ser um tumulto, mas um amigo informou que era fogo. “O segurança não interferiu mais e começamos a correr”, recorda.

Betina ainda disse que uma barra de ferro na porta ficou dobrada no chão depois de muitas pessoas caíram sobre ela. Alisson Steindorff também participou da audiência e declarou que o local estava cheio. “Normalmente era muito lotado e tinha empurra-empurra. Neste dia estava assim”, avaliou. Outra vítima, Arthur Malmann salientou que havia barras na saída e que precisou desviar para chegar à calçada. “Consegui ver o fogo, mas não parecia algo que iria sair do controle”, falou.

Defesa alega que estrutura foi autorizada por bombeiros

Para o advogado Mario Cipriani, que defende um dos acusados no caso, Mauro Hoffmann, o relato das vítimas reforçou o argumento de que a estrutura da boate seria a mesma autorizada pelos bombeiros. Além disso, disse que foi surpreendente que mais de 30 pessoas arroladas como vítimas não eram. “Um dos pilares da defesa é de que existia lotação, não superlotação. No processo, há fotos tiradas ao longo da noite que mostram espaços enormes”, explica. Conforme ele, a sensação de estar em um ambiente cheio é subjetiva.

Além de Hoffmann, o outro sócio da boate, Elissandro Spohr, o Kiko, o produtor da banda Gurizada Fandangueira, Luciano Bonilha Leão, e o vocalista do grupo, Marcelo de Jesus dos Santos, são acusados de homicídio e tentativa de homicídio. Esse último tem acompanhado todos depoimentos, diferentemente dos demais. O advogado dele, Omar Obregon, ressaltou que o cliente não iria dar declarações à imprensa, mas fazia questão de estar presente nas audiências.

O juiz Ulysses Louzada esclareceu que ainda serão ouvidas as testemunhas, os peritos e os réus. Somente após esse processo, é que será definido se os quatro irão a juri popular.


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Fonte: Karina Reif / Correio do Povo






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