Porto Alegre, terça-feira, 21 de Outubro de 2014

  • 04/04/2014
  • 22:26
  • Atualização: 23:14

Vítimas de trabalho análogo ao de escravo são resgatadas em navio na Bahia

Carga horária era acima de onze horas por dia e descanso interrompido por treinamentos

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  • Agência Brasil

 A Secretaria de Inspeção, do Ministério do Trabalho e Emprego (SIT/MTE) resgatou, na última terça-feira, onze trabalhadores em condição análoga à de escravo no navio de cruzeiro MSC Magnífica, ancorado no Porto de Salvador (BA). A ação teve a participação, ainda, da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, Polícia Federal e outros órgãos federais.

Durante a fiscalização, o MTE constatou que os tripulantes do navio estavam trabalhando cerca de 200 dias sem nenhum dia completo de folga. Eles trabalhavam cerca de 11 a 16 horas e os períodos de descanso eram interrompidos por treinamentos e outras atividades. O órgão apurou que os funcionários eram submetidos a pressões psicológicas dos “capos”, nome dados aos chefes.

“Segundo relatos, esses 'capos' assediam moralmente os trabalhadores que não se submetem às situações abusivas, tratando-os de maneira humilhante e os ameaçando com a perspectiva de tratamento, que era ainda pior quando o navio saía do alcance das autoridades brasileiras”, disse Raul Vital, chefe da Divisão de Fiscalização do Trabalho Portuário e Aquaviário.

A ação foi motivada por denúncias de trabalhadores brasileiros e da Associação de Vítimas do Trabalho em Navios de Cruzeiro. De acordo com o MTE, as denúncias são referentes ao assédio moral e sexual, jornadas exaustivas e exploração predatória do trabalho dos brasileiros a bordo de cruzeiros marítimos.

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