Porto Alegre, sábado, 25 de Outubro de 2014

  • 05/04/2014
  • 14:37
  • Atualização: 14:48

Manhã de ocupação na Maré não teve prisões nem confrontos, diz comandante

UPA está prevista para o segundo semestre de 2013

Forças Armadas ficarão no Complexo da Mará até o dia 31 de julho e terão , por meio de uma GLO, poder de polícia para atuar no local | Foto: Fernando Frazão / Agência Brasil / CP

Forças Armadas ficarão no Complexo da Mará até o dia 31 de julho e terão , por meio de uma GLO, poder de polícia para atuar no local | Foto: Fernando Frazão / Agência Brasil / CP

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  • Agência Brasil

Forças federais ocuparam o Complexo da Maré, na zona Norte do Rio na manhã deste sábado. A operação, batizada de São Francisco, tem 2,7 mil homens, sendo 2.050 da Brigada Paraquedista do Exército, 450 da Marinha e 200 da Polícia Militar. A primeira manhã da ocupação das Forças Armadas no Complexo da Maré não teve prisões, confrontos ou apreensões, informou o comandante militar do Leste, Francisco Carlos Modesto. O general do Exército participou de uma entrevista coletiva depois da assinatura do acordo que formalizou o emprego das Forças Armadas no complexo.

"Não temos notícia de nenhum confronto e não foram feitas prisões graças ao trabalho anterior da Secretaria de Segurança Pública, muito bem feito, em que foram efetuadas muitas prisões e apreensões. Até o momento não tenho conhecimento de nenhuma apreensão também", acrescentou o comandante, que afirmou que as tropas estão recebendo o apoio da população. "Temos notado desde o primeiro momento esse interesse e essa colaboração efetiva da população e isso nos dá esperança que todos juntos, militares, órgãos públicos e a população, vamos conquistar e garantir essa paz tão desejada" completou o general.

Na sexta-feira, a Secretaria Estadual de Segurança Pública divulgou um balanço informando que 162 pessoas foram presas nos 15 dias de ocupação do Complexo da Maré pela Polícia Militar. Nesse período, ocorreram 36 confrontos, que deixaram 16 mortos e oito feridos. As apreensões somam 101 armas e mais de 2 mil munições.

Ao participar da entrevista, o governador Luiz Fernando Pexão disse que o número de prisões chega a 180 se somadas as efetuadas pelas polícias Militar, Civil e Federal. Pezão agradeceu a presença das Forças Armadas. "Se não fosse o Exército, a Marinha e a Aeronáutica, não estaríamos vivenciando esse momento na nossa cidade", disse ele, que reconheceu que ainda há um longo caminho para a pacificação. "Ninguém tem a utopia aqui de que já vencemos essa guerra".

O governador antecipou que na próxima semana começarão as obras do que ele chamou de "Cidade da Educação", um complexo com escolas de ensino médio e profissionalizante, com funcionamento em horário integral. A construção será em parceria com a prefeitura e deve levar até seis meses, segundo estimativa dele.

Sobre a instalação da Unidade de Polícia Pacificadora, que está prevista para o segundo semestre, Pezão não garantiu que ela ocorrerá até o final de julho, período inicial que está previsto como fim da ocupação militar. "Se precisar pedir, a presidenta desde o primeiro momento se colocou à disposição para continuar se precisarmos de mais tempo. Mas vamos ver. Na próxima sexta-feira, temos a formatura de 800 policiais. Temos uma série de formaturas previstas e vamos abrir concurso para 6 mil policiais. Vamos ver como vai caminhando. Hoje ainda é primeiro dia da ocupação" afimou o governador.

O ministro da Defesa, embaixador Celso Amorim, disse que sua expectativa é que a UPP esteja pronta para ser instalada dentro do prazo previsto pela Garantia de Lei e da Ordem (GLO), que dá ao Exército poder de polícia para atuar no Complexo da Maré até o dia 31 de julho. "Esperamos que até lá (31 de julho), a UPP tenha condição de ser instalada, e estaremos dando esse apoio. Queria sublinhar que isso está ocorrendo concomitantemente com a preparação para a total tranquilidade na época da Copa do Mundo, e uma coisa está ligada a outra".

Já o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, falou em nome da presidenta Dilma Rousseff em agradecimento ao trabalho das Forças Armadas: "Elas tem seguido fielmente a sua missão constitucional que está consagrada na Carta de 1988. Além de garantirem a soberania do país, além de estarem presentes em pontos do território nacional em que elas são o Estado brasileiro, dando assistência, trazendo tratamento médico e educação em áreas quase que inacessíveis, elas também têm tido um papel de fundamental importância na segurança pública".

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