Porto Alegre, terça-feira, 21 de Outubro de 2014

  • 11/04/2014
  • 13:27
  • Atualização: 14:22

Morre em Porto Alegre o ex-vereador Antônio Losada

Ex-preso político foi atropelado no 10 de março em frente ao shopping Praia de Belas

  • Comentários
  • Vitória Famer/Rádio Guaíba

Faleceu, na manhã desta sexta-feira, o ex-vereador de Porto Alegre, Antônio Cunha Losada, aos 79 anos. Segundo a assessoria de imprensa da Secretaria Municipal da Saúde, o ex-preso político, que estava internado no Hospital de Pronto Socorro, morreu às 5h20min desta sexta-feira. Losada estava internado na Unidade de Tratamento Intensiva (UTI) desde o último dia 10 de março após ser atropelado próximo ao shopping Praia de Belas.

O boletim médico apontou que o acidente provocou traumatismo no tórax e fraturas nas costas. Ele apresentou melhora nos primeiros dias de internação, mas, depois, passou a apresentar um quadro de agravamento progressivo relacionado ao seu estado geral de saúde que acabou culminando na falência múltipla dos órgãos, de acordo com a assessoria da secretaria. O velório começa às 17h na Câmara Municipal de Porto Alegre e o sepultamento ocorre neste sábado, às 11h, no Cemitério Jardim da Paz.

Losada havia recebido o título de Cidadão de Porto Alegre da Câmara de Vereadores, em 16 de agosto de 2013. A cerimônia, proposta pelo vereador Pedro Ruas (PSOL), aconteceu no Plenário Otávio Rocha. Losada nasceu em Bagé no dia 25 de abril de 1934.

Na homenagem, Ruas lembrou do menino pobre vindo de Bagé aos dez anos de idade que logo adquiriu consciência social, começando sua militância política ainda na adolescência. "Era um operário que não pôde estudar mas queria mudar o mundo." No golpe militar de 1964, acrescentou o vereador, Losada integrou diversos segmentos de combate à ditadura. "Doou sua vida a esta luta, perdeu a liberdade e quase a vida por isso. Foi torturado, mas resistiu e chega hoje aos 79 anos nos dando exemplo de militância."

Ruas observou que os ditadores e seus seguidores tentaram dobrar Losada, "mas um homem como ele precisaria de umas 80 ditaduras para dobrá-lo". Conforme o vereador, muitos o torturaram, mas alguns se destacaram na barbárie. "Pedro Seelig, Nilo Ervelha e os delegado Pires e Cunha foram os que mais se destacaram na barbárie contra Losada". Portanto, reiterou Ruas, a homenagem a Losada foi também a todos aqueles mortos pela ditadura, jovens entre 18 e 21 anos que perderam suas vidas logo no começo da militância. "Losada enfrentou isso de peito aberto, com vontade e coragem."

Bookmark and Share


TAGS » Política