Porto Alegre, sexta-feira, 24 de Outubro de 2014

  • 15/04/2014
  • 07:58
  • Atualização: 08:06

Crise do IBGE chega à Câmara e ao Senado Federal

Oposição contestou metodologia do instituto e saída de técnicas após suspensão de pesquisa

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  • Correio do Povo

Membros da oposição na Câmara e no Senado querem explicações do governo sobre a crise no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O líder do Dem na Câmara, deputado Mendonça Filho (PE), protocolou nessa segunda-feira, na Comissão de Fiscalização e Controle da Casa, requerimento para ouvir a presidente do IBGE, Wasmália Bivar, e as ex-diretoras Marcia Quintslr e Denise Britz do Nascimento Silva. Em outro requerimento, o deputado pede convocação da ministra do Planejamento, Miriam Belchior.

A crise no IBGE se iniciou com um pedido de informações da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), que no requerimento contestava a divulgação de novas variáveis pesquisadas pelo órgão dentro da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua). Depois do pedido da senadora, o IBGE suspendeu a pesquisa e anunciou que deseja fazer uma "revisão da metodologia". A oposição acusa o governo de querer aparelhar o IBGE. "Usam um argumento de que o cumprimento da lei do Fundo de Participação dos Estados (FPE) seria o motivo, mas não é mera coincidência essa notícia sair logo depois que a inflação é a maior dos últimos 11 anos e quando o desemprego cresceu", disse Mendonça Filho.

Segundo o partido, a intenção é apurar o que levou as duas servidoras técnicas de carreira, ambas integrantes do Conselho Diretor, a deixarem seus cargos depois que o IBGE anunciou na semana passada que a divulgação da pesquisa fora suspensa até janeiro de 2015. Para Mendonça, a suspensão, seguida por manifestação contrária de servidores do órgão, demonstra "tentativa de uso político da instituição". Ontem foram divulgadas duas notas de esclarecimento dos funcionários do instituto. Mais de 40 técnicos afirmam que, para atender à Lei Complementar 143 "não é necessário fazer uma revisão da metodologia da pesquisa'. Segundo eles, "não há razão para a interrupção da divulgação desta pesquisa".

Em outra nota, os coordenadores do IBGE afirmam que a carta enviada ao Conselho Diretor, na semana passada, na qual ameaçavam deixar seus cargos "visava a garantir a manutenção do calendário de divulgação da Pnad Contínua, cuja suspensão foi decidida sem consulta ao corpo técnico". Eles ressaltaram que "não há suspeição sobre a integridade do Conselho". E garantiram que 'os trabalhos técnicos do IBGE não estão sob qualquer domínio ou ingerência política.

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TAGS » IBGE, Economia, Brasília