Porto Alegre, quarta-feira, 22 de Outubro de 2014

  • 16/04/2014
  • 14:17
  • Atualização: 15:21

Ex-diretor da Petrobras nega ter enganado Dilma Rousseff em compra de Pasadena

Nestor Cerveró afirmou que diretoria da estatal estava de acordo com negócio

Nestor Cerveró afirmou que diretoria da estatal estava de acordo com negócio | Foto: Antonio Cruz / aBr / CP

Nestor Cerveró afirmou que diretoria da estatal estava de acordo com negócio | Foto: Antonio Cruz / aBr / CP

  • Comentários
  • AE

O ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró afirmou nesta quarta-feira que não enganou a presidente Dilma Rousseff, então presidente do Conselho de Administração da estatal, na compra de parte da refinaria de Pasadena, no Texas (EUA). "De forma nenhuma", respondeu ele ao deputado Vanderlei Macris (PSDB-SP), em audiência pública na Câmara dos Deputados.

Segundo o ex-diretor, todo o processo de compra foi desenvolvido ao longo de um ano. "Não houve nenhuma intenção de enganar ninguém. Quer dizer, não há nenhum sentido de se enganar alguém", afirmou.

Nestor Cerveró fez questão de deixar claro de que tal posição em favor da compra da refinaria não era individual, mas da diretoria. "Não existem decisões individuais", afirmou, ao destacar que tanto a diretoria que compunha, a da área internaciona, e a do conselho de administração, estavam de acordo com a operação.

Cerveró disse que, se a demissão dele do cargo de diretor da área financeira da BR Distribuidora tivesse ocorrido por causa de Pasadena, ela teria de ser realizada há sete ou oito anos. Ele afirmou também que não se sente "rebaixado" por ter seguido para a diretoria financeira da BR Distribuidora após deixar a direção da estatal. "Eu não fui rebaixado, eu fui substituído, que é um processo normal na Petrobras", afirmou ele, ao destacar que a mudança é uma questão de "conveniência" da administração.

O ex-diretor da Petrobras considera que as cláusulas Put Option (de saída) e Marlim (de rentabilidade do sócio) não têm, na avaliação feita, "essa representatividade no negócio". "Não é importante do ponto de vista do negócio, do ponto de vista da valorização do negócio, nem uma cláusula nem outra", destacou.

Cerveró, contudo, ainda não disse se omitiu tais cláusulas do resumo executivo que embasou a compra da refinaria de Pasadena. Conforme revelou o jornal O Estado de S. Paulo, Dilma admitiu não ter tido acesso às cláusulas antes de a estatal efetuar a compra de metade da refinaria. Dilma era presidente do Conselho de Administração da Petrobras à época da operação. A presidente disse que não aprovaria a operação se soubesse de todas as informações.

Pouco antes, o ex-diretor afirmou que a operação foi um bom negócio, contradizendo o que disse nessa terça-feira a atual presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster.

Bookmark and Share