Porto Alegre, quinta-feira, 23 de Outubro de 2014

  • 21/04/2014
  • 08:45
  • Atualização: 08:51

Brasil planeja apoio a superporto que concorrerá com Rio Grande

Empreendimento será construído a 288 quilômetros do terminal gaúcho

Concorrência preocupa operadores portuários no Brasil | Foto: Alan Bastos / Especial / CP Memória

Concorrência preocupa operadores portuários no Brasil | Foto: Alan Bastos / Especial / CP Memória

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  • Correio do Povo

O Brasil está em vias de entrar em uma polêmica no Mercosul ao apoiar um superporto no Uruguai que poderá roubar cargas dos terminais brasileiros. O apoio do Brasil, repetindo um financiamento a Cuba, deve ser forte: 1 bilhão de dólares do BNDES, segundo fontes que acompanham a negociação, conforme publicou o jornal O Globo. Maior oferta de frequências marítimas, fretes mais baratos, tempo de deslocamento menor e possibilidade de alcance do mercado asiático pelo Estreito de Magalhães, em condições de concorrência com o Canal do Panamá, atraem o Brasil. Operadores portuários brasileiros, no entanto, temem a concorrência com um porto mais moderno que os nacionais, principalmente no Sul.

O empreendimento será construído em Rocha, a 288 quilômetros de Rio Grande, onde está o mais importante porto do Rio Grande do Sul. O projeto uruguaio é ousado: calado (profundidade) de 20 metros, que permitirá a atracação de navios com capacidade para até 180 mil toneladas. Os portos do Sul do Brasil têm, no máximo, 14 metros de calado e recebem navios com até 78 mil toneladas.

O governo uruguaio publicou na Internet estimativas sobre o novo porto. Em 2025, deve movimentar 87,5 milhões de toneladas, mais do que a soma dos terminais de Paranaguá (com 44,7 milhões de toneladas em 2013) e Rio Grande (com 33,2 milhões de toneladas em 2013). É esperado que uma empreiteira brasileira faça as obras em Rocha. É o mesmo modelo adotado pelo BNDES para financiar com 685 milhões de dólares o porto cubano de Mariel, reformado pela Odebrecht.

"Não podemos financiar concorrentes"

O presidente da Associação Brasileira de Terminais Portuários (ABTP), Wilen Manteli, considera preocupante o apoio do governo brasileiro à construção do porto em Rocha, no Uruguai. 'Não podemos financiar um concorrente enquanto temos grandes carências em acessos terrestres e aquaviários e na infraestrutura portuária', assinalou em declaração publicada no site da associação.

O empresário lembrou que o governo brasileiro passou o ano de 2013 dizendo que iria investir na infraestrutura portuária. "Se o financiamento pelo BNDES acontecer, isso vai na contramão do que a presidente Dilma pregou durante o ano passado, quando elaborou um novo marco regulatório para atrair investimentos para os portos brasileiros. E por que agora financiar um porto no Uruguai?"

Manteli também argumentou que cabe à Secretaria Nacional dos Portos dar cobertura nesta hora. "O ministro Antonio Henrique Silveira precisa ser e é o nosso maior defensor. Por isso, resolvemos recorrer a ele para saber exatamente o que está acontecendo. Temos esse direito. Ele ficou de verificar as informações e nos comunicar."

Em março, Silveira havia anunciado investimentos de R$ 36 bilhões ao longo dos próximos três anos. "O que deve ser estratégico para o governo brasileiro é criar plataformas logísticas no Brasil", considerou o presidente da ABTP.


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