Porto Alegre, sexta-feira, 21 de Novembro de 2014

  • 22/04/2014
  • 10:01
  • Atualização: 10:19

MP investiga crimes comandados de dentro do Presídio Central

Operação Praefectus foi deflagrada em 11 municípios gaúchos

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  • Correio do Povo

O Ministério Público (MP), por meio da Promotoria Especializada Criminal de Porto Alegre, deflagrou nesta terça-feira uma operação contra a ação de "prefeitos" de galerias do Presídio Central. Segundo o promotor de justiça Ricardo Herbstrith, foi constatada a existência de um esquema de extorsão, roubo, receptação, tráfico e homicídio comandado por apenados recolhidos na penitenciária.

Herbstrith afirmou que ameaças e lavagem de dinheiro fazem parte do esquema comandado pelos presos, chefes da 2ª e 3ª galerias, pertencentes à Facção dos Manos. Sete mandados de busca e 17 de prisão devem ser cumpridos na ofensiva denominada Praefectus, prefeito em latim.

Conforme o MP, a retirada das celas de dentro das galerias no Presídio Central determinou uma nova forma de administração. Os policiais militares cuidam apenas dos corredores, enquanto as facções criminosas gerenciam as galerias.  O “plantão”, “prefeito”, “representante” ou “chefe” da galeria, que exerce a função de líder, é o responsável pelo controle dos conflitos entre os presos, pela imposição das regras aos comandados e ainda representa os apenados nas reivindicações dirigidas ao comando da segurança.

A ofensiva ocorre em 11 cidades gaúchas: Alvorada, Canoas, Campo Bom, Capela Santana, Esteio, Imbé, Nova Santa Rita, Portão, Porto Alegre, São Leopoldo e Sapucaia do Sul. A operação conta com a participação de 150 policiais militares.

Companheiras dos prefeitos tinha ingresso prioritário

Os "Manos" ocupam a 2ª e 3ª galerias do pavilhão B do Presídio Central e contam com um efetivo aproximado de 400 detentos. A contribuição dos integrantes da facção é realizada por meio de depósitos bancários, aquisição de cartões telefônicos, utilização da cantina e exploração do tráfico de drogas no interior das galerias e nas regiões dominadas por integrantes da facção.

Os bares adjacentes ao Presídio Central são os que concentram a maior parte dos pagamentos. De acordo com as investigações, nos dias de visitas, pessoas próximas aos apenados realizam o pagamento de valores já especificados para cada apenado nos estabelecimentos comerciais pré-determinados pelos próprios presos.

Foi constatada, ainda, a prática comum de ingresso prioritário e facilitado das companheiras de apenados que exercem funções de "prefeitos" das galerias, bem como de 1º e 2º auxiliares. Nos dias de visitas, elas não necessitam aguardar em uma fila a espera de entrar. Ao chegar, dirigem-se diretamente ao início da fila e ingressam juntamente com outras visitantes prioritárias (gestantes e mulheres idosas acima de 70 anos). Esse privilégio é amplamente aceito pelos demais detentos e seus familiares.

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