Porto Alegre, quinta-feira, 27 de Novembro de 2014

  • 25/04/2014
  • 00:27
  • Atualização: 00:37

Comunidade da Cruzeiro segue envolvida pelo medo em Porto Alegre

Ruas desertas e poucos frequentadores nas escolas e postos de saúde marcaram a quinta-feira

Ruas desertas e poucos frequentadores nas escolas e postos de saúde marcaram o dia | Foto: Fabiano do Amaral

Ruas desertas e poucos frequentadores nas escolas e postos de saúde marcaram o dia | Foto: Fabiano do Amaral

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  • Correio do Povo

Na vila Cruzeiro do Sul, bairro Santa Tereza da zona Sul de Porto Alegre, poucos foram os moradores que se arriscaram a sair às ruas nesta quinta-feira. Os colégios e as unidades de saúde que foram fechados na quarta-feira, devido ao temor de um confronto armado entre quadrilhas rivais, reabriram as portas, mas para poucos frequentadores. A vigília constante da Brigada Militar e da Polícia Civil, assim como a presença da Guarda Municipal em frente às escolas e às unidades de saúde, possibilitou o retorno das atividades. Mas os locais funcionaram com número reduzido de pessoas e, à tarde, voltaram a suspender as atividades devido a uma nova ameaça dos traficantes.

O medo e o “toque de recolher” imposto pela criminalidade ainda é vivenciado e a lei do silêncio respeitada com rigor. Os confrontos entre grupos rivais que disputam a hegemonia do tráfico de drogas começaram no sábado e mobilizaram toda a comunidade. Pelo menos quatro pessoas foram assassinadas. Três acusados de envolvimento com o narcotráfico foram presos. Porém, enquanto a presença dos criminosos ameaçar o local, a rotina segue alterada.

Na Escola Municipal de Ensino Infantil Maria Dolabella Portella, dos 70 alunos matriculados, apenas 16 compareceram às aulas. Na Escola Estadual de Ensino Fundamental Almirante Álvaro Alberto da Motta e Silva, dos 400 estudantes, 180 retornaram. “Os pais estão telefonando, preocupados. Muitos buscaram os filhos no meio da manhã”, ressaltou a vice-diretora Eloísa Menezes Pereira.

O cenário se repetia nas unidades de saúde. Os moradores preferiram não sair de casa. No Pronto-Atendimento Cruzeiro do Sul, os pacientes buscavam consultas com ar de desconfiança. Uma cuidadora relatou o desespero ao cardiologista: “Temos medo de sair e não voltar”.


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