Porto Alegre, sábado, 1 de Novembro de 2014

  • 27/04/2014
  • 08:20
  • Atualização: 08:27

Polícia mantém em segredo últimas imagens de menino Bernardo

Câmeras de posto de combustível flagraram madrasta, amiga e criança

Câmeras de posto de combustível flagraram madrasta, amiga e criança   | Foto: Agostinho Piovesan / Especial / CP

Câmeras de posto de combustível flagraram madrasta, amiga e criança | Foto: Agostinho Piovesan / Especial / CP

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  • Correio do Povo

As imagens captadas pelas câmeras do posto de combustíveis Avenida, de Frederico Westphalen, localizado na esquina das ruas Tenente Portela e Comércio, no dia 4 de abril, continuam restritas. Apenas a polícia visualizou e possui cópia das imagens que registram os últimos momentos de vida do menino Bernardo Boldrini.

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“A pedido da polícia não cedemos as imagens armazenadas num computador para nenhum meio de comunicação. Isso somente será feito com autorização da polícia”, afirmou o sócio-gerente do posto, Jonir Piaia. Ele disse que recebeu “proposta” de um veículo de comunicação para liberar uma cópia. “Era um dinheiro muito bom, dava para comprar um carro novo, mas jamais iria comercializar imagens de um caso de morte, onde um inocente perdeu a vida”, afirmou.

Piaia informou que as imagens estão num computador, com senha em outro local, que não no posto. “Já comprei várias unidades de pen drive e logo que a Polícia autorizar vou fazer cópias das imagens e fornecer à imprensa sem custo algum, apenas o valor do pen drive, relata. O gerente informou que desde o dia 4, data em que, a partir das imagens captadas pelas câmeras de segurança, foi presa Edelvânia Wirganovicz, uma das acusadas da morte do menino, dezenas de repórteres de veículos de comunicação foram até o local. “Vêm aqui buscar informações e tentar obter as imagens, pois elas representam uma peça decisiva no esclarecimento neste caso policial”, destaca.

Piaia e funcionários do posto lembram-se da movimentação, naquele dia 4, mas nunca imaginariam o que se tratava. Ele lembra que as imagens visualizadas no dia 14 pela polícia registram a chegada da madrasta de Bernardo, Graciele Ugulini. Ela estava acompanhada de Bernardo. “A madrasta desceu da caminhonete e caminhou por alguns metros, tendo o menino ao lado, até sair do alcance da câmera”, relata Piaia. Era por volta das 13h40min do dia 4. Pouco depois, em torno de 15 minutos, a madrasta Graciele Ugulini, a assistente social Edelvânia e o menino Bernardo apareceram novamente nas imagens entrando no Siena (automóvel de Edelvânia).

Posteriormente, por volta das 17h, as imagens mostram o veículo chegando no posto, retornando, estacionando na rua, no mesmo local onde estava antes de partir no início da tarde. No retorno, as duas mulheres desceram do carro. Estavam sozinhas, sem o menino. Elas carregavam três ou quatro sacolas na mão. Colocaram as sacolas em um latão de lixo em frente ao prédio onde morava Edelvânia, a poucos metros do posto. Piaia lembra, emocionado, que um dos policiais que assistia ao vídeo naquele momento chorou e disse: “Elas mataram a criança”.

Até aquele momento Bernardo era considerado desaparecido. Os policiais mantinham contato com a delegada de Polícia de Três Passos e a partir das imagens, Edelvânia foi novamente interrogada, confessou participação no crime e foi presa. Os policiais chegaram ao posto de combustíveis ao seguir o rastro da nota de compra de um extintor de incêndio para carro. A nota estava dentro da caminhonete de Graciele, com data do dia 4 de abril e a compra foi realizada no posto Avenida.

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