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02/05/2014 07:29 - Atualizado em 02/05/2014 07:36

Caso Bernardo: Um quarto congelado no tempo

Equipe do Correio do Povo teve acesso à casa da família Boldrini em Três Passos

Na estante, um aquário vazio após morte de peixinho com sumiço de Bernardo<br /><b>Crédito: </b> Samuel Maciel
Na estante, um aquário vazio após morte de peixinho com sumiço de Bernardo
Crédito: Samuel Maciel
Na estante, um aquário vazio após morte de peixinho com sumiço de Bernardo
Crédito: Samuel Maciel

Um lugar onde o tempo congelou. Assim pode ser descrita a casa onde Bernardo Uglione Boldrini viveu, em Três Passos. A equipe do Correio do Povo entrou na residência com a permissão de parentes do médico Leandro Boldrini, na tarde de ontem. Em meio à bagunça do quarto de Bernardo, revirado pela Polícia, nas últimas semanas, Paulo Boldrini - irmão do médico e tio do garoto - mostrou as roupas, os brinquedos e os cadernos escolares do menino. No local, dava para sentir como vivia o garoto, seu dia a dia e seus gostos. "Ele gostava de jogar no computador", conta o tio. "Leandro comprou vários jogos novos para ele no Natal", disse.

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O peixinho, que ganhou do pai no ano passado, acabou morrendo por falta de cuidados. O que ocorreu logo após o sumiço de Bernardo, em 4 de abril. "O meu irmão já tinha encomendado um aquário maior para ele, que chegaria nos próximos dias", revelou Paulo. Escrito no caderno da disciplina de Inglês a prova de que Bernardo tinha celular próprio. Logo abaixo da assinatura "B. Boldrini" - como gostava de se identificar -, ele escreveu o número do telefone para ser avisado caso perdesse algum material da escola.

O banheiro utilizado por ele fica à direita do quarto. À frente, a peça onde ficava a sua meia-irmã. Na escrivaninha, o menino escreveu um bilhete para si mesmo: "Sexto ano. Horário: 7h30min até as 11h55min. Acordar 6h30min". Uma barra de chocolate em formato do Homem-Aranha permanece intacta, esperando o dono. Ele nunca virá. Um pacote de chicletes permanece aberto próximo à barra. Bernardo comeu apenas um.

O garoto torceu para o Internacional até a mãe falecer em 2010. Logo após, o menino virou a casaca. O cachecol azul, branco e preto em uma das gavetas demonstra a preferência nos últimos anos. Na estante, porta-retratos. Em um deles, ele posa abraçado ao pai. Logo ao lado, duas notas de R$ 2,00. "Faz uma foto disso para mostrar que o Leandro dava dinheiro a ele, sim", pede o tio.

A esposa de Paulo, Sônia, também mostrou o que havia no armário do quarto. Apontou os chinelos que deu de presente ao sobrinho uma semana antes do desaparecimento. "Olha aqui no armário como ele tinha tênis, ao contrário do que dizem."

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Fonte: Fernanda Pugliero / Correio do Povo






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