Porto Alegre, sexta-feira, 24 de Outubro de 2014

  • 02/05/2014
  • 19:35
  • Atualização: 19:54

Diretoria da Casa do Estudante rebate acusação de estrangeiros

Universitários alegaram sofrer constantes atos de discriminação pelos integrantes da residência

Estudantes reclamaram de atos de discriminação na Casa | Foto: André Ávila / CP Memória

Estudantes reclamaram de atos de discriminação na Casa | Foto: André Ávila / CP Memória

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  • Correio do Povo

A diretoria da Casa do Estudante Aparício Cora de Almeida (Ceuaca), localizada na rua Riachuelo, Centro de Porto Alegre, repudia acusações de universitários africanos de que teriam ocorrido atos de discriminação contra estrangeiros no local. Segundo o presidente da Casa, Thomas Maciel, o morador João Flávio Evangelista e o assessor de imprensa da residência, Tiago Tresoldi, as acusações seriam infundadas e o grupo teria “sempre buscado combater qualquer ato de preconceito”.

“De longa data, a Ceuaca recebe moradores de diversas partes do Brasil e do mundo. Cumpre, assim, destacar que já fica bem esclarecido para o candidato a novo morador da Ceuaca que ela congrega uma gama de diversidade étnica, de orientação sexual, de credos e assim por diante. Ou seja, a Ceuaca valoriza e se constitui da pluralidade”, esclarece a diretoria, em nota.

Em contraponto às denúncias, a diretoria complementa que “todos os moradores sempre tiveram acesso às áreas coletivas”. Sobre a confraternização que estava sendo planejada pelos estrangeiros e que foi cancelada, Tresoldi explica que não houve retaliação ao evento, mas lembra que a casa está proibida de sediar qualquer tipo de evento porque o prédio está interditado desde 2007 por não possuir Plano de Prevenção contra Incêndio (PPCI).

Segundo João Flávio, a determinação para que não ocorra aglomeração de pessoas no local é da Procuradoria-Geral do Estado (PGE). Segundo a diretoria, atualmente a casa está com baixa ocupação, tendo em vista que os moradores estão num processo de realocação, para que a residência passe por reformas. A diretoria acrescenta que foi eleita com base no estatuto vigente.

O caso

Os estrangeiros alegam estar vivendo sob constantes atos de discriminação. A maioria dos episódios, segundo eles, estaria envolvendo a atual diretoria, formada pelos próprios estudantes. “Só queremos que aqui impere o princípio da isonomia, da igualdade para todos”, desabafou o graduando em Direito pela PUC, Francisco Ialá, natural de Guiné-Bissau, norte da África.

Francisco está em Porto Alegre há sete anos. Com o passar do tempo, considera que as retaliações aos estrangeiros, que hoje são cerca de 20, só têm aumentado, apesar de que instituições como o Ministério Público e Secretaria Estadual da Justiça e dos Direitos Humanos já teriam sido alertadas sobre os problemas. “Eu não consigo gozar de nenhum espaço da casa. Unicamente do meu quarto”, denuncia Francisco.

Nesta semana, mais um fato de racismo teria ocorrido. Com a chegada de novos estrangeiros, um grupo da casa organizaria um churrasco nesta sexta-feira. No entanto, a iniciativa não teria sido acatada pela diretoria, a qual alegou que o evento teria fins lucrativos. “Em nenhum momento visamos lucro. O valor cobrado seria apenas para custear o churrasco. Os demais moradores da casa já fizeram milhares de festa no salão social, por que nós não podemos fazer?”, questiona o nigeriano Ifekayode Isaac Omoniyi.


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