Porto Alegre, sexta-feira, 31 de Outubro de 2014

  • 02/05/2014
  • 20:54
  • Atualização: 21:12

Ato protesta por desfecho pacífico para tensão entre agricultores e índigenas no RS

Cerca de 600 pessoas se concentraram em São Valentim em solidariedade a mortes em Faxinalzinho

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  • José Adelar Ody/Correio do Povo

Mais de 600 pessoas participaram, no início da tarde desta sexta-feira, de um ato público no trevo de acesso a São Valentim, às margens da RSC 480. A manifestação ocorreu em solidariedade aos familiares dos dois agricultores mortos em suposto confronto com indígenas na última segunda-feira, no interior de Faxinalzinho. O clima era de indignação com as autoridades que, no entender dos participantes, não tomaram medidas que poderiam ter evitado a tragédia.

Cartazes e faixas com frases pedindo justiça e paz, fitas preta em todos os veículos e até um pequeno caixão foi carregado ao final dos discursos durante caminhada até o Fórum no centro da cidade. Deputados, sindicatos, cooperativas, representantes da Fetraf, Fetag, prefeitos e agricultores estiveram presentes. Antes das manifestações, o vice-prefeito de Faxinalzinho, James Ayres Torres, organizava a chegada de delegações de municípios da região. Ele foi taxativo: “Lá nunca foi área indígena. A área é nossa”. Ele não garantiu a volta às aulas na próxima semana, porque em algumas escolas, há alunos filhos de agricultores que estudam com filhos de indígenas.

Elaine de Souza estava cercada por amigas, vizinhas e curiosos, que diziam palavras de conforto e solidariedade. Sempre junto da filha de 13 anos, a esposa de Alcemar Batista de Souza, falava em justiça e punição para quem matou seu marido.“Todos queremos que isso se resolva de uma vez, antes que mais inocentes morram tentando defender algo que já é nosso”, enfatizou. Ela disse que, por enquanto, a família está recebendo apoio e atenção de cunhados até como forma de dar mais tranquilidade à noite. Elaine ainda não foi procurada por nenhuma autoridade para falar sobre o episódio que resultou na morte do marido Alcemar e do cunhado Anderson Batista de Souza. Ainda de acordo com Eliane, sua filha não sabe quando voltará à Escola Estadual de Ensino Médio Faxinalzinho onde cursa a 8ª série. A menina não estaria disposta a se reencontrar com colegas indígenas no educandário estadual.

Fetraf pede audiência com Dilma

O presidente da Federação dos Trabalhadores da Agricultura Familiar (Fetraf) no estado, Rui Valença, disse que a entidade solicitou uma audiência com a presidente Dilma Rousseff. Ele relatou que o Ministério da Justiça “já nos ouviu, conhece o problema”, mas não estaria resolvendo nada. “O que está faltando não sei”, observou. De acordo com Rui Valença o que aconteceu em Faxinalzinho não foi um fato isolado. “É uma situação que vem se arrastando há anos.” Segundo Valença, só no RS são 10 mil agricultores sujeitos a perder terras. Também observou que “falamos várias vezes com a Funai, mas eles entendem que os colonos deviam sair”.

O presidente da Associação dos Moradores do Município de Faxinalzinho, Ido Marcon, disse que o episódio de segunda-feira era uma questão de tempo. “E não foi por falta de aviso. Estávamos prevendo isso há 12 anos”, definiu. Ele criticou o Cimi (Conselho Indigenista Missionário). “Não vi ninguém dos direitos humanos, do Cimi, aparecer. Será que não somos humanos?” questionou.

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