Porto Alegre, domingo, 21 de Dezembro de 2014

  • 03/05/2014
  • 18:27
  • Atualização: 18:28

Escola tenta superar o trauma da morte do Bernardo

Professores fizeram um trabalho para amenizar a angústia dos alunos

Professora de Artes mostra o último trabalho feito por Bernardo, cuja nota ele não ficou sabendo | Foto: Samuel Maciel

Professora de Artes mostra o último trabalho feito por Bernardo, cuja nota ele não ficou sabendo | Foto: Samuel Maciel

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  • Fernanda Pugliero / Correio do Povo

Os cartazes pedindo o retorno de Bernardo, remanescentes dos dez dias em que o menino desapareceu da cidade — entre 4 e 14 de abril —, foram retirados da fachada do Colégio Ipiranga, na última semana. As faixas com dizeres “Volta Bê” foram descoladas da parede pelos colegas de Bernardo. Ele frequentava o 6ºano, no turno da manhã. Ele preferia Ciências Humanas a Exatas. Ele também não gostava de Educação Física. A angústia dos alunos da única escola particular de Três Passos cessou. A tristeza não.

“O que a gente queria era encontrar ele vivo”, fala o diretor Nelson Weber. A turma e os colegas ficavam perguntando a todo o momento onde ele estava, relembra. Eles temiam, no entanto, que o menino jamais fosse encontrado. “A hipótese que nos passou foi de sequestro, fugir jamais. Não era o perfil dele”, recorda a funcionária Mauriceia Gaspareto.

As atividades do colégio foram paralisadas por uma semana, após a Polícia localizar o corpo de Bernardo, em 14 de abril. O luto iniciou naquele dia e se manteve até após o feriado de Tiradentes. O diretor colocou à disposição da comunidade escolar um ônibus para o deslocamento até Santa Maria, onde ocorreu o funeral do menino. Foi lá que Weber conheceu a psicóloga que atendeu os familiares das vítimas da Boate Kiss. Ela se ofereceu para realizar um trabalho de apoio aos alunos do colégio.

A atividade da psicóloga na escola durou dois dias. A turma de Bernardo, com 22 alunos, teve atenção especial. Foi recomendado que a classe ocupada pelo menino permanecesse intacta. A mesa e a cadeira ainda estão vazias. “Parece que a vida no colégio está começando a ser tocada adiante”, afirma o diretor. Ele frisa que nunca esquecerá o episódio. Agora foca o trabalho em valores para que tragédias como a de Bernardo não se repitam. “Nossa ideia não é abafar a situação, mas trabalhar a realidade com os alunos.”

Os dois últimos trabalhos escolares feitos por Bernardo na disciplina de Educação Artística serão emoldurados. A professora de Português Simone Müller, também coordenadora do Ensino Infantil e Fundamental, pretende pendurá-los em sua sala. O menino desenhou um palhaço e um pássaro. A professora de Artes disse à Simone que o desenho da ave foi o preferido de Bernardo naquele dia. Assinado no canto inferior direito como “B. Boldrini”. O trabalho foi feito com giz pastel.

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