Porto Alegre, domingo, 21 de Dezembro de 2014

  • 06/05/2014
  • 13:45
  • Atualização: 13:51

Caseiro diz a senadores que não participou da morte do coronel Malhães

Rogério Pires também contou à comitiva que não sabia da participação dos irmãos no crime

Rogério Pires também revelou que pode haver a participação de mais pessoas | Foto: Tomaz Silva / Agência Brasil / CP

Rogério Pires também revelou que pode haver a participação de mais pessoas | Foto: Tomaz Silva / Agência Brasil / CP

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  • Agência Brasil

Em conversa com senadores da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado Federal, o caseiro Rogério Pires, suspeito de ter participado da morte do coronel reformado do Exército Paulo Malhães, negou envolvimento no crime. Na versão da Polícia Civil, Rogério confessou a participação no latrocínio (roubo seguido de morte), no sítio do coronel, na Baixada Fluminense.

"Ele não confessou o crime, disse que não participou de nada, não sabia de nada, enfim, não confirmou a participação dele em momento algum", disse à imprensa a presidente da comissão, senadora Ana Ria (PT-ES). Ana conversou com o caseiro na Delegacia Antissequestro do Rio, acompanhada dos senadores João Capiberibe (PSB-AP) e Randolfe Rodrigues (PSOL-AP).

Segundo a presidente da comissão, o caseiro, que é analfabeto, foi ouvido pela Polícia Civil sem a presença de um advogado. “Nos estranhou muito uma pessoa como ele, que não sabe ler, escrever, não tem nenhuma escolarização, ter prestado depoimento sem um advogado. Isso é muito estranho”. Ela disse que Rogério não apresenta marcas de torturas e negou ter sido pressionado a prestar o depoimento à Divisão de Homicídio da Baixada Fluminense.

"Isto foi perguntado expressamente: 'Se ele, em algum momento, admitiu ter participado do assalto e do assassinato do coronel'. Ele negou peremptoriamente. Disse que em nenhum momento admitiu isso (o crime)", acrescentou o presidente da Comissão da Verdade do Rio, Wadih Damous, que acompanhou a visita oficial da comitiva do Senado à delegacia onde está o preso.

O caseiro também contou à comitiva que não sabia da participação dos irmãos no crime. Segundo Rogério, que ficou amarrado com a esposa do coronel durante o episódio no sítio, ele identificou os parentes por uma tatuagem já que dois envolvidos usavam capuz. Ele também revelou que um dos envolvidos falava ao telefone no momento da ação, o que pode ser um sinal da participação de mais pessoas, avalia o senador João Capiberibe.

Para o senador Randolfe, as declarações do caseiro levantam suspeitas sobre a possibilidade execução do coronel Malhães. “Essa é uma hipóteses com que estamos trabalhando”, disse.

O militar tinha confessado à Comissão da Verdade do Rio de Janeiro ter participado ativamente de tortura de presos políticos durante a Ditadura e deu detalhes sobre a prática no Rio de Janeiro.

A Comissão de Direitos Humanos disse que solicitará auxilio jurídico ao caseiro, por meio da Defensoria Pública e Proteção à família do caseiro.

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