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11/05/2014 13:43 - Atualizado em 11/05/2014 14:02

Governo do Estado classifica prisão de indígenas como inoportuna

Secretários afirmaram que suspeitas de armação para detenção são irresponsáveis

Somente um dia após a Polícia Federal (PF) cumprir mandados e prender cinco indígenas em Faxinalzinho, o governo do Estado se manifestou oficialmente sobre a situação ocorrida depois de conflitos no município do Norte do Estado, que resultaram na morte de dois agricultores. Em nota, assinada pelo secretário de Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo, Elton Scapini, e pelo chefe de Gabinete do Governador do Estado, Ricardo Zamora, o Executivo classificou como inoportuna a ação e garantiu que as suspeitas de que o Estado teria participado de uma armação para a detenção dos índios são mentirosas e irresponsáveis e têm como único objetivo fomentar o conflito e aumentar a tensão já existente na cidade.

Ambos disseram terem sidos surpreendidos com a ação da PF durante reunião - que poderia resultar em diálogo, pacificação, retorno às aulas, desobstrução das estradas e avanço na construção de propostas para a resolução dos problemas – do governo com a Fundação Nacional do Índio (Funai), representantes da prefeitura, indígenas e agricultores. “Do ponto de vista da solução do problema, a ação, realizada durante a reunião, revelou-se totalmente inadequada, já que interrompeu um momento muito importante de diálogo e construção de propostas que pacificariam o município e garantiriam o direito das duas partes”, escreveram em comunicado divulgado à imprensa.

Por fim, os secretários garantiram que não escolheram as lideranças que participaram da reunião e não tinham conhecimento de quem eram os suspeitos e menos ainda de que seriam presos durante o encontro. Desta forma, Scapin e Zamora reafirmaram que a demarcação de áreas indígenas é uma atribuição exclusiva da União e esperam que o Ministério da Justiça se responsabilize pela retomada do diálogo e a busca da solução do problema. “Nós, do governo do Estado, continuaremos persistindo na busca de uma solução mediada, que garanta tanto o direito legítimo dos indígenas quanto dos agricultores familiares”.

Já o superintendente da Polícia Federal no Rio Grande do Sul, Sandro Caron, classificou como correta a ação que culminou com a prisão de cinco indígenas em meio a uma reunião de conciliação. Segundo ele, os mandados judiciais de prisão temporária foram cumpridos durante o encontro em função do baixo número de pessoas presentes. “Caso os policiais entendessem por esperar, abrindo mão desse momento adequado, poderia acontecer de eventualmente chegar um número maior de indígenas ou de pessoas na região fazendo algum tipo de protesto e daí haveria total risco. Então foi feita (a prisão) porque naquele momento ela poderia ser cumprida com segurança de todos, por isso a ação foi correta”, justificou.


Fonte: Wagner Machado / Correio do Povo






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