Porto Alegre, sexta-feira, 21 de Novembro de 2014

  • 11/05/2014
  • 16:38
  • Atualização: 16:39

Em nota, comitês populares condenam atuação da PF em Faxinalzinho

Superintendente classifica como correta a ação que culminou nas detenções

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  • Correio do Povo

Descontentes com a ação da Polícia Federal (PF) que cumpriu mandados e prendeu indígenas em Faxinalzinho, no Norte do Estado, a Articulação Nacional dos Comitês Populares da Copa (Ancop) e o Comitê Popular da Copa de Porto Alegre divulgaram texto repudiando a ação, na qual entre os detidos está o cacique da reserva de Votouro, Deoclides de Paula.

• Indígenas são presos em Faxinalzinho

De acordo com a nota, após morte dos agricultores Anderson e Alcemar de Paula, a PF agiu de forma covarde, realizando a prisão durante reunião de diálogo entre representantes dos indígenas e agricultores. “Este não é um fato isolado. Em todo o país, aldeias indígenas estão sendo aniquiladas. Homens, mulheres e crianças são assassinados com crueldade. Mas no Rio Grande do Sul, a situação é insustentável e tem seus porta-vozes da desgraça, como o deputado que declarou que quilombolas e indígenas são tudo o que não presta”, ponderaram.

Conforme texto, há um ano, o Conselho Indigenista Missionário (CIMI) divulgou um levantamento informando que 96 territórios nacionais - diretamente relacionado à disputa agrária - estão em situação de risco. Dentre eles, 17 destes estão localizados em solo gaúcho, em cidade como Vicente Dutra, Sananduva e Mato Castelhano. “Denunciamos que a responsabilidade pelos conflitos é única e exclusivamente do poder executivo estadual e federal. Um ano depois da divulgação dos dados do CIMI e das diversas manifestações, tanto das comunidades indígenas como agrícolas, não tomaram medidas mais fortes para solucionar a questão”, reclamaram.

Em recente documento enviado ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, caciques e lideranças do povo Kaingang, no Rio Grande do Sul, exigiram a demarcação de seus territórios e responsabilizaram o poder Executivo pela paralisação dos processos demarcatórios das terras indígenas no Estado e pelas consequências dessas paralisações, incluindo os confrontos e incidentes. “É mais do que urgente que os governos se posicionem de forma clara e ajam fortemente para parar os conflitos no país. Enquanto os pequenos se matam, os grandes latifundiários continuam a explorar e a destruir o nosso território”, finaliza o documento enviado à imprensa.

PF agiu corretamente, defende superintendente

O superintendente da Polícia Federal no Rio Grande do Sul, Sandro Caron, classificou como correta a ação que culminou com a prisão de cinco indígenas em meio a uma reunião de conciliação. Segundo ele, os mandados judiciais de prisão temporária foram cumpridos durante o encontro em função do baixo número de pessoas presentes. “Caso os policiais entendessem por esperar, abrindo mão desse momento adequado, poderia acontecer de eventualmente chegar um número maior de indígenas ou de pessoas na região fazendo algum tipo de protesto e daí haveria total risco. Então foi feita (a prisão) porque naquele momento ela poderia ser cumprida com segurança de todos, por isso a ação foi correta”, justificou.

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