Porto Alegre, sexta-feira, 31 de Outubro de 2014

  • 12/05/2014
  • 10:52
  • Atualização: 11:18

Rússia respeita referendo pró-Moscou e quer diálogo com Kiev

Presidente interino da Ucrânia chamou consultas de "farsa"

Presidente interino da Ucrânia chamou consultas de 'farsa' | Foto: Genya Savilov / AFP / CP

Presidente interino da Ucrânia chamou consultas de 'farsa' | Foto: Genya Savilov / AFP / CP

  • Comentários
  • AFP

A Rússia anunciou nesta segunda-feira que respeita o resultado dos polêmicos referendos nos quais regiões do leste pró-Moscou da Ucrânia se pronunciaram de maneira ampla a favor da independência e defendeu um diálogo das autoridades ucranianas com os separatistas de Donetsk e Lugansk.

"Em Moscou, respeitamos a expressão da vontade dos cidadãos das regiões de Donetsk e Lugansk", afirma um comunicado do Kremlin. "Partimos do princípio de que a aplicação do resultado dos referendos acontecerá de maneira civilizada, sem mais violência, por meio do diálogo entre os representantes de Kiev, Donetsk e Lugansk", completa a nota.

Na região de Donetsk, os primeiros resultados apontam para quase 90% de apoio ao "Sim" à independência. A consulta não foi reconhecida por Kiev nem pelos países ocidentais. Uma fonte ligada aos rebeldes anunciou uma taxa de 75% de participação. O resultado do referendo de independência na região vizinha de Lugansk deve ser divulgado nesta segunda-feira, mas as primeiras estimativas apontam para um resultado similar.

Várias detonações foram registradas na manhã desta segunda-feira em Slaviansk, reduto rebelde em Donetsk.
A operação militar iniciada por Kiev em 2 de maio contra os separatistas teve prosseguimento na localidade de Andriivka, na entrada sul da cidade de 110 mil habitantes cercada pelas forças ucranianas, afirmou a porta-voz dos ativistas pró-Rússia em Slaviansk, Stella Jorosheva.

Os rebeldes pró-Moscou celebraram no domingo dois referendos sobre as declarações de independência das autoproclamadas "República Popular de Donetsk" e "República Popular de Lugansk".

As autoridades ucranianas e a comunidade internacional temem a reprodução de um cenário similar ao que levou, em março, à anexação da península da Crimeia à Rússia, após um referendo. O presidente interino da Ucrânia, Olexander Turchynov, chamou nesta segunda-feira de "farsa" sem efeitos jurídicos os referendos.

"A farsa que os terroristas chamam de referendo é apenas um disfarce propagandístico dos assassinatos, sequestros, violência e outros crimes graves", declarou Turchynov no Parlamento. As autoridades de Kiev "continuarão dialogando com aqueles que no leste da Ucrânia não têm as mãos manchadas de sangue e estão
dispostos a defender seus objetivos de maneira legal", completou. O único "efeito legal" do referendo é levar à justiça os que o convocaram, disse o presidente interino.

Conversações com separatistas

Para buscar uma saída da crise, a Organização para a Cooperação e a Segurança na Europa (OSCE) nomeou nesta segunda-feira o veterano diplomata alemão Wolfgang Ischinger como mediador da organização na Ucrânia.  O presidente da OSCE, Didier Bulkhalter, afirmou que o governo ucraniano aceitou a proposta de mediação, durante uma reunião com os ministros das Relações Exteriores da União Europeia (UE) em Bruxelas.

Ao mesmo tempo, ele destacou a abertura de Moscou ao diálogo sobre a Ucrânia e considerou que a UE não deve realizar medidas "que podem ser consideradas como uma provocação". "Vimos em Moscou que há uma abertura para o diálogo", disse.

Mas a Rússia descarta a ideia de novas negociações internacionais sobre a Ucrânia se o diálogo não contar com os representantes das regiões separatistas do leste do país, declarou o ministro das Relações Exteriores, Serguei Lavrov. "Voltar a reunir-se a quatro partes não faz sentido", declarou Lavrov ao ser questionado sobre a possibilidade de uma nova rodada de negociações entre Rússia, Ucrânia, União Europeia e Estados Unidos, como a celebrada em abril em Genebra.

No entanto, a UE decidiu nesta segunda-feira adicionar 13 indivíduos e duas empresas a mais na lista de pessoas físicas e jurídicas submetidas a uma proibição de visto e ao congelamento de bens pela crise na Ucrânia. As 13 pessoas, russas e ucranianas, entram para a lista que já contava com 48 personalidades punidas desde o início da crise. As duas empresas incluídas na lista são duas instituições que tiraram proveito da anexação da Crimeia à Rússia, segundo fontes diplomáticas. Os nomes das pessoas e das empresas ainda não foram divulgados.

A terceira fase das sanções, que incluem medidas punitivas em diferentes setores econômicos, com um custo para os países com maiores vínculos comerciais com a Rússia, gera profundas divisões entre os 28 países membros do bloco.

Eleição mantida para 25 de maio Kiev pretende manter a eleição presidencial antecipada de 25 de maio e acusa Moscou de tentar impedir a votação.  Os rebeldes, que não aceitam as eleições, chamam de "fascista" o governo provisório, que assumiu o poder após a queda do presidente pró-Rússia Viktor Yanukovytch no fim de fevereiro.



Bookmark and Share