Correio do Povo

Porto Alegre, 22 de Agosto de 2014


Porto Alegre
Agora
12ºC
Amanhã
14º 29º


Faça sua Busca


Notícias > Polícia

ImprimirImprimir EnviarEnviar por e-mail Fale com a redaçãoFale com a redação Letra Diminuir letra Aumentar Letra

13/05/2014 16:08 - Atualizado em 13/05/2014 17:07

Polícia aponta contradições para indiciar pai de Bernardo

Escutas telefônicas foram usadas para apurar envolvimento de Leandro Boldrini

Escutas telefônicas foram usadas para apurar envolvimento de Leandro Boldrini<br /><b>Crédito: </b> Tarsila Pereira
Escutas telefônicas foram usadas para apurar envolvimento de Leandro Boldrini
Crédito: Tarsila Pereira
Escutas telefônicas foram usadas para apurar envolvimento de Leandro Boldrini
Crédito: Tarsila Pereira

As supostas contradições demonstradas por Leandro Boldrini nos depoimentos e as escutas telefônicas de conversas após sua prisão foram decisivas para a polícia apontar sua participação no planejamento da morte do filho Bernardo Boldrini, de 11 anos. Em entrevista coletiva após a entrega do inquérito do caso ao Ministério Público (MP), a delegada Caroline Bamberg Machado relatou trecho de uma conversa com um irmão que seria decisivo para provar que ele sabia detalhes da morte do menino.

• Leia mais sobre o caso Bernardo Boldrini

De acordo com Caroline, o irmão contou a Leandro que a polícia havia achado manchas que poderiam ser sangue no banco traseiro do veículo de Graciele e que seria feita a perícia. Nesse momento, Leandro teria dito ao irmão que o garoto não havia retornado no carro, comprovando, de acordo com a delegada, que ele sabia que o garoto havia sido levado e não tinha voltado com esposa de Frederico Wesphalen.

Além disso, o medicamento usado por Graciele Uglini para matar Bernardo Boldrini foi comprado com um receituário supostamente assinado por Leandro Boldrini. O médico teria assinado a receita destinada à amiga do casal e assistente social, Edelvânia Wirganovicz, que fez a compra do remédio com a substância midazolam. A polícia ainda espera o resultado da perícia para comprovar a veracidade da assinatura no receituário.

Logo que foram avisados do sumiço de Bernardo, os policiais passaram a trabalhar com três hipóteses: desaparecimento por conta própria, sequestro e homicídio. Conforme Caroline, já no final do primeiro dia das investigações a polícia chegou à certeza de que o menino havia sido assassinado. Na sequência, informações de testemunhas sobre a relação tumultuada de Graciele e Leandro com Bernardo levaram ao caminho de que eles haviam planejado a morte do garoto.

O comportamento de Leandro Boldrini após o desaparecimento de Bernardo teria gerado estranhamento até mesmo em amigos do médico. Segundo relato da delegada, ele teria se mostrado tranquilo com a situação e não se mostrava interessado em seguir as pistas que apareciam logo após o desaparecimento do menino. Caroline Bamberg afirmou que seria mais uma prova de que ele tinha pleno conhecimento do que havia ocorrido com o filho.

A polícia ainda teve a informação de uma amiga da madrasta de Bernardo, que foi até aos polícias após saber da morte do menino, de que Graciele a teria procurado no mês de janeiro para conversar sobre a tumultuada relação com o garoto. Na ocasião, Graciele teria dito à amiga que ela e o pai teriam tomado a decisão de matar o garoto sugerindo que precisavam de ajuda. Após ver a ideia reprovada pela amiga, Graciele foi embora e então teria encontrado na assistente social Edelvânia Wirganovicz a cúmplice para o crime.

Defesa refuta provas contra Leandro Boldrini


Logo após a entrevista coletiva dos delegados, o advogado de Leandro Boldrini, Jader Marques, contestou os argumentos usados pela polícia para garantir a participação do seu cliente na morte de Bernardo Boldrini. De acordo com o defensor, os elementos apresentados não comprovam que Leandro planejou o assassinato do filho.

“Saio dessa entrevista com a redobrada convicção de que houve uma divulgação prematura da autoridade policial. Por meio do inquérito e da entrevista não vi nenhum elemento que comprove a participação do meu cliente”, disse Jader Marques à Rádio Alto Uruguai.

Jader Marques ainda reclamou do julgamento feito pelos policias a respeito da reação de Leandro e saber da morte do filho. “São elementos que dependem das impressões subjetivas das autoridades, como a que se dá em relação ao comportamento que um pai deve ter ao receber uma notícia. A autoridade dita o comportamento que deve ter e não respeita ao que a pessoa tem. Há uma individualidade que precisa ser respeitada. A característica do Leandro é desse tipo de comportamento. É um cirurgião, uma pessoa acostumada a lidar com a defesa da vida. Temos relatos de colegas médicos de que congelaram em situações de acidentes de trânsito e ele não” afirmou.

Em relação à conversa relatada pela delegada Caroline Bamberg Machado em que Leandro Boldrini afirma para o irmão que o sangue encontrado no banco traseiro do carro de Graciele não poderia ser de Bernardo porque o menino não voltou com ela, o advogado sustenta que seu cliente disse isso porque a esposa trouxe uma televisão no veículo. Desta forma, o menino poderia apenas ter estado no banco da frente do automóvel. “O Leandro sabia que a televisão havia sido transportada no banco de trás. Por isso ele disse que o Bernardo não poderia estar ali atrás. Isso é uma prova de que os elementos usados por eles são frágeis", concluiu.

Bookmark and Share

Fonte: Correio do Povo






O que você deseja fazer?

Busca

EDIÇÕES ANTERIORES

Acervo de 09 de Junho de 1997 a 30 de Setembro de 2012. Para visualizar edições a partir de 1 de Outubro de 2012, acesse a Versão Digital do Correio do Povo. No menu, acesse “Opções” e clique em “Edições Anteriores”.