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14/05/2014 16:54 - Atualizado em 14/05/2014 18:01

MP entrega denúncia sobre o caso Bernardo nesta quinta

Polícia indiciou Leandro Boldrini, pai do menino, Graciele Ugulini, madrasta e Edelvânia Wirganovicz

O Ministério Público (MP) vai apresentar à Justiça nesta quinta– um dia antes do previsto – a denúncia sobre o Caso Bernardo. Uma entrevista coletiva está marcada para as 14h, em Três Passos, no auditório da Universidade Regional do Noroeste do RS (Unijuí). A promotora de justiça Dinamárcia Maciel de Oliveira, responsável pela análise do inquérito, recebeu vista do trabalho investigativo que chegou nessa terça-feira ao Judiciário.

Leia mais sobre o caso Bernardo

Três pessoas foram indiciadas pela Polícia Civil (PC) pelo homicídio. A tendência é de que o trio seja denunciado pelo assassinato do menino Bernardo Uglioni Boldrini, de 11 anos. A promotora, no entanto, pode solicitar mais investigações ou ter uma conclusão diferente da que teve a delegada responsável pelo inquérito, Caroline Machado. Os denunciados passarão a ser réus se o juiz concordar com a conclusão do MP. Depois disso o magistrado define se os réus vão ou não a júri popular, já que se trata de crime doloso contra a vida.

O juiz Marcos Luís Agostini, da Comarca de Três Passos, decretou, na noite dessa terça-feira, a prisão preventiva de Leandro Boldrini, pai do menino, da mulher dele, Graciele Ugulini, e da assistente social Edelvânia Wirganovicz, amiga do casal. O médico permanece na Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (Pasc), enquanto as duas mulheres seguem na Penitenciária Feminina de Guaíba. Um quarto suspeito, Evandro Wirganovicz, irmão de Edelvânia, também foi encaminhado à Pasc, mas contra ele ainda não há indiciamento e as investigações prosseguem.

O casal e Edelvânia foram indiciados por homicídio doloso (com intenção) qualificado e ocultação do cadáver de Bernardo, encontrado em 14 de abril em uma cova na zona rural de Frederico Westphalen, a 110km de onde vivia com a família, em Três Passos, e dez dias depois de ser dado como desaparecido.

ENTENDA O CASO

O desaparecimento
O corpo do menino Bernardo Uglione Boldrini, 11 anos, natural de Três Passos, foi encontrado na noite de 14 de abril no interior de Frederico Westphalen, no Norte gaúcho. A criança ficou desaparecida por 10 dias. De acordo com informações do pai, o médico Leandro Boldrini, Bernardo teria saído de casa para dormir na casa de um amigo, mas nunca chegou à residência do vizinho. O pai descobriu o desaparecimento apenas no domingo, quando foi buscar o garoto.

A operação para encontrar o menino mobilizou o Corpo de Bombeiros, a Brigada Militar e a Polícia Civil. O cadáver estava dentro de um saco, nu, enterrado em uma área de mato numa propriedade rural. A família vivia em Três Passos, distante cerca de 100 quilômetros do local onde o corpo foi encontrado.

A titular da Delegacia de Três Passos, delegada Caroline Bamberg Machado, cuidou do caso desde o desaparecimento até a entrega do laudo final ao Ministério Público, nesta terça-feira.

Prisões preventivas
O pai de Bernardo, Leandro Boldrini, a madrasta da vítima, Graciele Uglini, e a amiga do casal e assistente social, Edelvânia Wirganovicz, de Frederico Westphalen, foram presos preventivamente, após uma medida cautelar, como suspeitos da morte do garoto. A suspeita é de que o menino tenha sido dopado e assassinado com uma injeção letal.

Uma das hipóteses levantada pela Polícia Civil para explicar o assassinato de Bernardo é a motivação econômica. O menino é herdeiro da parte do capital da família a ser destinada à mãe, morta em 2010.
A madrasta de Bernardo, a enfermeira Graciele, prestou depoimento à polícia no dia 30 de abril na Penitenciária Modulada de Ijuí, no Planalto Médio. Graciele disse aos policiais que a morte do menino foi acidental por ingestão de medicamentos. Ela negou a participação do pai de Bernardo na morte do filho. A madrasta admitiu ter administrado a medicação para acalmar o enteado. Uma das suspeitas é que a dose pode ter sido a causa da morte.

O advogado da assistente social, Demétrius Eugênio Grapiglia, acompanhou o depoimento de Graciele. De acordo com ele, a madrasta de Bernardo disse aos policiais que a cliente não teve participação na morte do menino. Edelvânia Wirganovicz se declarou inocente em relação ao homicídio. O advogado reiterou que a amiga dos pais do garoto participou, pressionada, da ocultação do cadáver. Edelvânia também garantiu que o homicídio foi acidental e que o pai do menino não participou do crime.

Em 2 de maio, o juiz da 1ª Vara Judicial da Comarca de Três Passos, Marcos Luís Agostini, negou o habeas corpus, pedido de revogação da prisão temporária, para o médico Leandro Boldrini. O magistrado ponderou que a segregação temporária foi decretada por 30 dias porque o delito é considerado hediondo e o prazo não havia expirado.

Morte da mãe de Bernardo é contestada

O advogado Marlon Taborda, representante da avó materna de Bernardo Boldrini, Jussara Uglione, pediu a de reabertura do inquérito da morte de Odilaine Uglione, mãe do menino. O advogado contestará o laudo de 2010 - ano da morte de Odilaine -, que apontou suicídio. "Achei mais de uma dezena de razões, enumerei-as e juntei à documentação técnica", explicou o advogado. Evandro Wirganovicz

Após o ingresso na Justiça, o requerimento deve ser disponibilizado ao Ministério Público de Três Passos, que poderá determinar novas investigações policiais. Jussara diz ter certeza de que a filha morreu com um tiro, mas afirma não ter certeza se foi ela quem o disparou.


Veja o vídeo com últimas imagens de Bernardo Boldrini vivo:




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Fonte: Samuel Vettori / Rádio Guaíba






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