Porto Alegre, segunda-feira, 20 de Outubro de 2014

  • 15/05/2014
  • 16:43
  • Atualização: 16:44

Latvida e Hollmann são indiciadas por reaproveitamento de leite adulterado

Ao todo, Delegacia do Consumidor indiciou seis pessoas, sendo quatro sócios e dois agropecuaristas

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  • Camila Kila / Rádio Guaíba

O inquérito instaurado pela Delegacia do Consumidor (Decon) para apurar as fraudes praticadas pelos proprietários das indústrias de leite Latvida e Hollmann foi concluído nesta quinta-feira. O delegado Fernando Soares indiciou seis pessoas, sendo quatro sócios das empresas e dois agropecuaristas.

Ele solicitou ainda a prisão preventiva de Rui José Sulzbach, um dos proprietários da VRS, que usa a marca Latvida, e de Sérgio Seewald, dono da Hollmann. Esse último foi preso ainda na quinta fase da Operação Leite Compen$ado, do Ministério Público, na semana passada.

Os outros indiciados são Valdir José Sulzbach, da Latvida, e Eduardo Fuhr, da Hollmann. Os quatro responderão por crimes contra a saúde pública e contra as relações de consumo, além de estelionato. A pena somada pode chegar a oito anos de prisão.

O delegado explica que, na primeira fase da operação do MP, em maio de 2013, foi verificada a adição de formol nos leites produzidos pela Latvida e Hollmann. Assim, a Latvida foi temporariamente interditada e houve determinação para os produtos adulterados serem retirados de circulação.

A delegacia recebeu denúncias de que, em vez de cumprir a determinação, as indústrias alugaram um depósito em Teutônia, para onde levaram o material oriundo da fraude. Segundo o delegado, foi constatado que, na madrugada, o leite era transportado de volta à fábrica, onde era reaproveitado, sendo embalado para venda ou servindo para confecção de derivados. No total, foram apreendidos 163 mil litros de leite com suposta adição de formol e validade vencida.

Soares explica que solicitou a prisão dos dois sócios-majoritários das empresas em razão da gravidade dos crimes cometidos e para que não atrapalhem o andamento do processo, com ameaças a testemunhas, por exemplo. Além disso, eles tentaram destruir o leite oriundo da fraude, a fim de eliminar as provas.

Dois agropecuaristas também foram indiciados por falsidade ideológica, por terem assinado um documento elaborado pelas indústrias, afirmando que o leite encontrado pela polícia havia sido recolhido por eles para destinar aos porcos. O delegado, porém, fala que a versão é inverídica. A pena para esse crime pode chegar a cinco anos de prisão.

O inquérito deve ser entregue até esta sexta-feira ao Judiciário, que pode decretar a prisão de Rui José Sulzbach.
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