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15/05/2014 21:25 - Atualizado em 15/05/2014 21:44

Protesto em SP tem ao menos três feridos e 28 detidos

PM usou gás lacrimogênio para dispersar grupo que iniciou depredação de agência bancária

Protesto em SP tem ao menos três feridos e 28 detidos<br /><b>Crédito: </b> Miguel Schinchariol/AFP/CP
Protesto em SP tem ao menos três feridos e 28 detidos
Crédito: Miguel Schinchariol/AFP/CP
Protesto em SP tem ao menos três feridos e 28 detidos
Crédito: Miguel Schinchariol/AFP/CP

Pelo menos três pessoas, entre elas dois fotógrafos, ficaram feridas no protesto desta quinta-feira na Avenida Paulista, em São Paulo. Um fotógrafo teria quebrado a perna e outro teve ferimentos por causa de estilhaços de uma bomba de efeito moral. Uma viatura da Polícia Militar foi interceptada pelo Grupo de Apoio ao Protesto Popular (GAPP) para levar um dos feridos ao Hospital das Clínicas. O outro foi encaminhado ao HC por membros do próprio GAPP.

De acordo com a Polícia Militar, oito manifestantes foram levados para o 78º DP (Jardins) para averiguação durante o protesto e outros 20 foram detidos antes, mas ainda não há informações se eles serão ou não presos. Os manifestantes portavam gasolina, martelo, pedras e panos. Uma agência bancária foi depredada entre as ruas Augusta e Haddock Lobo e um grupo de manifestantes virou um posto da Polícia Militar. A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) informou que o trânsito foi liberado na Avenida Paulista e na Rua da Consolação por volta das 20h50min.

A PM usou bombas de gás lacrimogêneo para dispersar o protesto contra os gastos da Copa do Mundo. O tumulto começou quando parte dos manifestantes começou a fazer pichações e tentou invadir uma loja. Após a ação policial, o ato se dividiu em vários grupos. Alguns seguiram o trajeto previsto e foram em direção ao Estádio do Pacaembu. Outros foram em direção à Rua Augusta, onde atearam fogo a sacos de lixo para fazer barricadas. Lojas e agências bancárias foram depredadas.

Os manifestantes começaram a se concentrar às 17h na Praça do Ciclista, na Avenida Paulista. Ficaram no local por cerca de duas horas, antes de saírem em passeata pela rua da Consolação, onde o tumulto teve início. Antes que a caminhada começasse, a PM informou ter detido 20 pessoas, que, segundo a corporação, portavam coquetéis-molotovs e martelos. Segundo a PM, o ato começou com 1,2 mil, acompanhados por 500 policiais.

O protesto foi organizado pelo Comitê Popular da Copa em São Paulo e faz parte do Dia Internacional de Lutas contra a Copa. Participaram movimentos de luta por moradia, partidos políticos e movimentos estudantis, além de pessoas que compareceram espontaneamente ao local.

Integrante do comitê, Marina Mattar explicou que a manifestação não é contra o evento esportivo. Segundo ela, o protesto busca dar visibilidade às violações de direitos humanos durante os preparativos para a Copa. “A questão não é se vai ter Copa. Já terá a Copa. Nosso objetivo é que a gente conquiste alguns direitos que a Copa ajudou a usurpar”, declarou.

Antes do início da passeata, os militantes projetaram, na lateral de um edifício na Avenida Paulista, os valores gastos na organização do evento e o nome de operários que morreram em obras de construção de estádios. “As mortes têm muita ligação com a situação da construção civil no Brasil. A precarização do trabalho pela terceirização, pela quarteirização. Ninguém tem responsabilidade”, ressaltou o militante do Comitê Popular da Copa, Thiago Rosa.

As remoções por obras relacionadas ao Mundial também foram lembradas com faixas e cartazes. “Além da remoção direta, tem a expulsão reflexo da especulação imobiliária. Você vê que ao lado do Itaquerão [estádio que receberá a abertura da Copa] há um aumento de 150% no preço da terra”, acrescentou Thiago.

Para Átila Pinheiro, membro do Movimento Nacional de População em Situação de Rua, o morador de rua é o primeiro a perder com a Copa. “Querem criminalizar o morador de rua como usuário de drogas. Então, expulsar essas pessoas dos espaços centrais e de turismo”, reclamou Pinheiro. Na opinião dele, faltam espaços para atender essa população sem tratá-la essencialmente como viciados em drogas.

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Fonte: AE e Agência Brasil






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