Porto Alegre, quinta-feira, 23 de Outubro de 2014

  • 19/05/2014
  • 07:33
  • Atualização: 07:56

Candidatos gaúchos à Câmara vão disputar "espólio"

Deputados federais que não tentam reeleição liberam 1,5 milhão de votos

Deputados federais que não tentam reeleição liberam 1,5 milhão de votos | Foto: Fabiano do Amaral

Deputados federais que não tentam reeleição liberam 1,5 milhão de votos | Foto: Fabiano do Amaral

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  • Flávia Bemfica / Correio do Povo

Quase 1,5 milhão de votos, concentrados em áreas urbanas, principalmente nas maiores cidades gaúchas, compõem o "espólio" deixado pelos deputados federais gaúchos que, por motivos diversos, não vão disputar a reeleição. Tamanho número de eleitores desperta o apetite de todos os partidos. As siglas montam estratégias para tentar manter a fidelidade do eleitor ou abocanhar votos dos adversários que desistiram de permanecer na Câmara.

São nove os gaúchos hoje deputados federais que fizeram votação expressiva na disputa eleitoral de 2010, mas não vão pleitear novo mandato na Câmara. Entre eles estão os dois parlamentares mais votados naquela eleição: Manuela D'Ávila (PCdoB), com 482.590 votos, e Beto Albuquerque (PSB), com 200.476 votos. Manuela integrará a nominata do PC do B que vai disputar uma vaga na Assembleia Legislativa. Beto participará da corrida ao Senado. Vilson Covatti (PP), Ênio Bacci (PDT) e Vieira da Cunha (PDT) também não concorrerão novamente a deputado federal. Covatti será substituído na nominata do PP pelo filho, para quem acredita que vai transferir seus votos. Bacci, assim como Manuela, disputará vaga na Assembleia, e Vieira está na corrida ao governo do Estado.

Mendes Ribeiro Filho (PMDB), que - depois de ser eleito por cinco vezes deputado federal -, se aposentou neste mês devido a problemas de saúde, também está fora da eleição. O mesmo ocorre com seu suplente e atual detentor da vaga, Eliseu Padilha (PMDB). Outro deputado federal que está a um passo de abrir mão de disputar a reeleição para entrar na corrida ao Senado é Nelson Marchezan Jr. (PSDB).

Somados, os oito parlamentares federais gaúchos totalizaram 1.259.405 votos em 2010. A eles é possível acrescentar Luciana Genro (PSol). Opção de 129.501 eleitores, ela não se reelegeu em função do coeficiente eleitoral e, na eleição deste ano, será candidata a vice-presidente da República. O número de votos a serem redirecionados chega a 1.388.906.

Novos partidos entram na disputa

Os 1.388.906 votos feitos pelos gaúchos que não disputarão a reeleição à Câmara dos Deputados representam 37,4% dos obtidos por todos os eleitos em 2010 e cerca de um quarto dos votos nominais. "É muito voto. Não tenho lembrança de isto ter ocorrido antes, nesta proporção, no Estado", afirma o petista Paulo Ferreira, que ficou com a segunda suplência em 2010.

Ele lembra, contudo, que parte dos grandes partidos está com dificuldades em apresentar nominatas fortes e que, majoritariamente, o perfil ideológico dos que estão deixando a disputa é de centro-esquerda. "Isto provavelmente auxilia candidaturas de caráter mudancista. Agora, acreditar que os que estão saindo vão transferir votos para aqueles que apoiam, isso não existe."

Avaliação semelhante faz o deputado federal Eliseu Padilha (PMDB). Segundo ele, um deputado com grande capacidade de transferir votos transfere, na melhor das hipóteses, menos de 50% deles. Além disso, segundo o deputado, existem novos partidos no jogo eleitoral e um momento político de muitas mudanças, no qual as mídias sociais têm forte influência. "A expectativa dos partidos é de que seus votos permaneçam com eles mas, na verdade, não há como saber para onde eles serão direcionados. Houve uma alteração muito grande, e alguns partidos com representações pequenas ou sem representação hoje podem aumentar sua participação na Câmara", afirma.

PCdoB articula estratégia


Ciente de que a deputada Manuela D'Ávila está deixando "livres" quase 500 mil votos (um terço dos obtidos pelos gaúchos que não disputarão novamente vaga na Câmara), o PCdoB trabalha há meses para tentar manter os votos com a legenda. "Estamos lançando em Porto Alegre e na região Metropolitana candidaturas que dialogam com a juventude, com o eleitor de opinião e com o público crítico, que deseja mudanças. Acreditamos que, além dos eleitores da Manuela, podemos disputar os votos do Beto e da Luciana e dialogar com eleitores do Mendes, do Vieira e do Marchezan", diz o vice-presidente do PCdoB gaúcho, Adalberto Frasson.

De acordo com ele, como parte da estratégia partidária, Manuela vai se dedicar às campanhas dos deputados federais. A juventude do partido, que sempre teve papel determinante nas campanhas da deputada, já está mobilizada. "Sabemos que não há voto sobrando", diz Frasson.

PP mira espaço de Manuela

O PP gaúcho acredita que pode disputar eleitores de Mendes Ribeiro, Eliseu Padilha, Vieira da Cunha e, até, de Manuela D'Ávila. "A Manuela tem um voto que eu chamo de porta de colégio. É o voto dos estudantes, da juventude, e que vai se identificar com a candidatura do Mano", considera o presidente estadual do PP, Celso Bernardi. O dirigente refere-se ao deputado estadual Mano Changes, que disputará vaga na Câmara.

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