Porto Alegre, quarta-feira, 26 de Novembro de 2014

  • 22/05/2014
  • 16:46

Presidente do TCU critica atrasos das obras para a Copa do Mundo

Augusto Nardes foi um dos palestrantes no 86º Encontro Nacional da Indústria da Construção, em Goiânia

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  • Karina Reif / Correio do Povo

Segundo o presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Augusto Nardes, as obras da Copa do Mundo, em função do ritmo que estão, deveriam ter começado há cem anos. Augusto Nardes participou nesta quinta-feira do painel Gestão Pública e Privada, na Comissão de Obras Públicas do 86º Encontro Nacional da Indústria da Construção (Enic) em Goiânia. O órgão fiscalizador passou a avaliar não só os aspectos da legalidade nas ações do Estado, mas também a eficiência das obras, projetos e serviços. Cerca de 40% dos auditores já estão trabalhando no levantamento de dados para verificar a qualidade da máquina pública.

Com base nas informações verificadas, Nardes demonstrou que a administração não vai bem. A carga tributária (36,4%) é uma das mais altas do mundo e a maior entre os países do Brics. Em sua apresentação, mostrou que o Brasil gerou de riquezas R$ 4,8 trilhões em 2013, mas áreas como a saúde e a educação não foram priorizadas na divisão dos recursos. Fora isso, não é comprovada a gestão do pessoal. Segundo Nardes, 61 mil professores no País estão fora da sala de aula. Faltam 32 mil docentes e 42 mil não estão adequados às disciplinas que estão lecionando.

O funcionalismo público soma 2 milhões na esfera federal, 3,5 milhões nos estados e 6,5 mil nos municípios. “Muitos não têm treinamento e estão sem motivação. Não entregam o produto, porque não existe um padrão de governança”, afirmou. Segundo o presidente do TCU, os países desenvolvidos comprometem cerca de 3% em pesquisa e inovação, enquanto o Brasil, apenas 1,2%. “Sem investimento nessa área, nós não avançamos”, observou.

Nardes apontou ainda problemas nos controles e banco de dados informatizados. “Cerca de 500 mil mortos estavam recebendo previdência”, exemplificou. “Temos que aperfeiçoar o Estado brasileiro e pensar no interesse coletivo”, disse. Boa parte do PIB é empregada na previdência. O desafio, na opinião do ministro, é fazer um pacto para aumentar a produtividade e a qualidade da governança para conseguir pagar essa conta no futuro. “Daqui alguns anos será R$ 1 trilhão na previdência”, disse.

Nesse sentido, o diretor do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Pesada no Estado do Rio Grande do Sul (Sicepot-RS) e da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), Humberto Busnello, destacou que o foco deve estar direcionado tanto no poder público, como na iniciativa privada. “Eu não acredito em nada que não tenha um mapa estratégico para ter sucesso”, explicou. O engenheiro comparou empresas e estado. “Uma prefeitura, um governo, por exemplo, não morre, mas se vai mal, os acionistas é que pagam. Os acionistas somos nós, a população”, descreveu.