Porto Alegre, quinta-feira, 18 de Dezembro de 2014

  • 23/05/2014
  • 10:26
  • Atualização: 10:49

Shows pirotécnicos eram comuns na Kiss, denuncia segurança

Testemunha relatou que banda de dono da boate fazia apresentações com fogos

Shows pirotécnicos eram comuns na Kiss, denuncia segurança | Foto: João Vilnei / Especial / CP

Shows pirotécnicos eram comuns na Kiss, denuncia segurança | Foto: João Vilnei / Especial / CP

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  • Renato Oliveira / Correio do Povo

Os depoimentos de testemunhas de acusação no processo criminal que investiga a tragédia da boate Kiss foram retomados na manhã desta sexta-feira no fórum de Santa Maria, região Central do Estado. Nessa quinta-feira, quatro pessoas prestaram esclarecimentos e hoje o primeiro a depor foi o ex-segurança da casa noturna Juliano Dalcol Garcia, de 28 anos. O ex-funcionário da boate relatou que shows pirotécnicos eram frequentes no local, inclusive envolvendo a banda de um dos donos do estabelecimento, Elissandro Spohr.

Garcia afirmou que trabalhou na Kiss por pelo menos um ano e disse que nunca foi informado sobre a capacidade da boate. "Quando estava superlotada era complicado. Eles (os donos da boate) até comemoravam quando tinha superlotação. As pessoas não conseguiam caminhar dentro da casa notruna", recordou.

Segundo Garcia, diversas pessoas foram retiradas da boate por uso de drogas. "Na entrada eu nunca tinha visto porque não podíamos realizar a revista íntima. Mas depois retirávamos alguns clientes com entorpecentes", disse.

Conforme o ex-segurança, algumas pessoas, por serem conhecidas em Santa Maria, entravam sem pagar na Kiss. "Recebíamos orientação para deixar fulano ou ciclano passarem porque são conhecidos ou importantes na cidade", explicou antes de lembrar que outros clientes até deixavam pertences porque não tinha condições de arcar com o pagamento da comanda. "Algumas meninas não tinham como quitar a comanda e deixavam celulares na Kiss, entre outras coisas", acrescentou.

Mais dois depoimentos ainda estão previstos para ocorrer nesta sexta-feira. Funcionário da Previne Extintores Gianderson Machado da Silva irá depor e a partir das 14h será a vez de Vanessa Gisele Vasconcelos, irmã de Letícia Vasconcelos, uma das vítimas que morreram no incêndio da boate em 2013.

As audiências prosseguirão nos dias 30 de maio e 10 de junho. Irão prestar depoimentos as pessoas indicadas pela defesa dos proprietários da Kiss, Elissandro Spohr, o Kiko, e Mauro Hoffmann, e os integrantes da banda Gurizada Fandagueira, Marcelo de Jesus dos Santos e Luciano Bonilha Leão, acusados de homicídio doloso e tentativa de homicídio.

A tragédia

O incêndio na boate Kiss – que ficava na Rua dos Andradas, Centro de Santa Maria – começou por volta das 2h30min da madrugada de 27 de janeiro de 2013. Dos jovens que participavam de uma festa organizada por estudantes da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), 242 morreram em decorrência do fogo.

Segundo testemunhas, o incêndio teria começado quando um dos integrantes da banda Gurizada Fandangueira, que acabara de subir ao palco, lançou um sinalizador. O objeto teria encostado na forração da casa noturna. As pessoas não teriam percebido o fogo de imediato, mas assim que o incêndio se espalhou, a correria teve início. Conforme relatos, os extintores posicionados na frente do palco não funcionaram.

Em pânico, muitos não conseguiram encontrar a única porta de saída do local e correram para os banheiros. Aqueles que conseguiram fugir em direção à saída, ficaram presos nos corrimãos usados para organizar as filas. A boate foi tomada por uma fumaça preta e as pessoas não conseguiam enxergar nada. A maioria morreu asfixiada dentro dos banheiros ou na parte dos fundos da boate.

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