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31/05/2014 20:27 - Atualizado em 31/05/2014 21:07

Plano Real completa 20 anos e oportuniza planejamento da propriedade

Moeda criada em 1994 trouxe benefícios a longo prazo para agricultor

Plano Real completa 20 anos e oportuniza planejamento da propriedade<br /><b>Crédito: </b> Felipe Dorneles / Especial CP
Plano Real completa 20 anos e oportuniza planejamento da propriedade
Crédito: Felipe Dorneles / Especial CP
Plano Real completa 20 anos e oportuniza planejamento da propriedade
Crédito: Felipe Dorneles / Especial CP

Planejar a propriedade em 1994 era uma missão quase impossível. Com 27 anos na época, o agricultor Marcos Reckziegel, de Santa Rosa, recorda bem o período em que a inflação — que no ano anterior havia sido de 2.477% — consumia boa parte da renda e fazia aumentar os custos de produção. “No começo da safra comprávamos insumos sem saber o valor que iríamos pagar no final, com a venda do grão”, recorda. Enquanto dava os primeiros passos na atividade, ao lado do pai, Reckziegel viu surgir o Plano Real, que agora completa 20 anos. Desde então, a inflação acumulada é de 354%.

Passadas duas décadas, o agricultor avalia que os benefícios da moeda criada em 1994 não vieram a curto prazo, já que no começo os preços eram pouco recompensadores. Naquele ano, Reckziegel conseguiu comprar uma plantadeira de grande porte, mas a aquisição seguinte, um trator usado, só viria em 2007. O acesso a crédito e a estabilidade financeira, porém, tornaram possível planejar a produção de milho, trigo e soja  além da pecuária, que hoje soma 27 hectares na localidade de Lajeado Reginaldo. “Nessa época começamos a saber ao certo qual é o nosso custo de produção, como ocorre hoje. O grão ainda varia, mas não da mesma forma que há 20 anos”, explica. Ele acredita que a estabilidade foi a grande responsável pela permanência dos filhos Magnun, 23, e Mateus, 18, no campo.

Além de mudar a forma como o brasileiro administra o seu dinheiro, o Plano Real - criado no dia 1º de julho de 1994 - transformou o campo. Após cinco planos econômicos fracassados e uma inflação que chegou a quatro dígitos, a estabilização aumentou a oferta de crédito para o produtor e permitiu que ele pudesse financiar investimentos sem que a dívida saísse do controle. “A agricultura que nós temos hoje deve-se a duas coisas: à sensibilidade empresarial dos produtores, com suas exposições ao risco e sua busca por tecnologia, e à estabilidade econômica”, define o economista-chefe da Farsul, Antônio da Luz.

Ao trazer a possibilidade de acesso a crédito privado, o Plano Real mudou a forma como o produtor captava recursos para investir. “Antes, ele nunca sabia se ia ter dinheiro de crédito para plantar. O Plano Real mudou a forma como nós tomamos crédito e permitiu que houvesse oferta suficiente para o crescimento da agricultura”, observa o economista. Como resultado, o país assistiu ao crescimento da agricultura de precisão, e a produção alcançou recordes. “Por isso, o Real permitiu que tivéssemos uma revolução em termos de tecnologia dentro da agricultura brasileira”, ressalta.

A estabilidade, no entanto, teve um custo. Nos primeiros anos de Plano Real, o controle da inflação significou, para os produtores, um reajuste pequeno nos preços dos produtos. Em julho de 1994, o preço pago ao produtor de leite era de R$ 0,18 por litro. Cinco anos depois, o acréscimo havia sido de seis centavos. Hoje, o preço mínimo é de R$ 0,78. O milho percorreu caminho semelhante. Em 1994, a saca custava R$ 6,30. Três anos mais tarde, o valor ainda era de míseros R$ 6,96 - hoje vale R$ 24,00 a R$ 27,50. Os dados são da Emater.

“Tivemos um período em que isso desestimulou o produtor. Alguns desistiram”, conta o presidente da Fetag, Elton Weber. Ele ressalta que, na maioria dos casos, o preço dos produtos não cresceu na mesma proporção dos insumos. “Quem pagou essa conta foi o setor primário.” No entanto, avalia que o Real foi positivo no que se refere à estabilidade. “No começo custou caro para o produtor”, lembra o presidente da Aprosoja-RS, Décio Lopes

Teixeira. “O dólar recuou e nosso produto era cotado na moeda americana. Mas em compensação, houve aquela estabilidade.” Ele recorda que o setor custou a se recuperar dos anos de hiperinflação, que fez com que a dívida de muitos agricultores virasse uma “bola de neve”. “Até hoje tem produtor quebrado em função do que aconteceu”, observa. Duas décadas depois, o que preocupa o sojicultor é que boa parte das despesas da lavoura continua atrelada ao dólar, hoje na casa dos R$ 2,20. “Isso reflete em prejuízo para o agricultor”, aponta Teixeira.

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Fonte: Danton Júnior / Correio do Povo






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