Porto Alegre, quinta-feira, 27 de Novembro de 2014

  • 02/06/2014
  • 20:48
  • Atualização: 20:50

Hospital Porto Alegre pode ser descredenciado depois de cancelar consultas pelo SUS

Impasse entre a direção da unidade e a Prefeitura começou em abril

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  • Samantha Klein/Rádio Guaíba


O embate entre a Associação dos Funcionários Municipais da Capital (AFM), que mantém o Hospital Porto Alegre, e a Prefeitura, acirrou-se com o cancelamento de consultas do setor de Oftalmologia. A justificativa é a redução no número de procedimentos do SUS. A Secretaria Municipal da Saúde remetia, em média, mil pedidos de agendamento mensais para o hospital, grande parte proveniente do funcionalismo do Município.

A instituição de saúde perdeu cinco médicos por conta da redução do volume de consultas pelo SUS. O presidente da Associação, João Paulo Galvez Machado, confirmou o cancelamento de procedimentos, mas culpou a Secretaria da Saúde pela falta de profissionais para manter o atendimento. “O valor pago pelo SUS é de R$ 10, mas pela Associação consigo pagar mais R$ 4. Então, os médicos trabalham somente se houve muitas consultas por mês. Com a diminuição dos procedimentos, eles estão indo embora”, sustenta.

A Secretaria da Saúde confirmou que o processo de descredenciamento da instituição está em análise após a verificação de fila de espera para atendimento, considerada muito acima do normal, e de outros problemas estruturais no Hospital Porto Alegre. Já a direção da unidade de saúde fala que a demora se deve, exclusivamente, à diminuição nos agendamentos pelo SUS, mas garante que as cirurgias oftalmológicas seguem sendo realizadas.

Impasse desde abril

A manutenção do Hospital Porto Alegre, referência para os servidores municipais e equipamento de retaguarda para a rede do SUS na Capital, segue incerta. Em reunião de negociação entre o vice-prefeito e a Associação dos Funcionários do Município (AFM), na semana passada, não houve consenso sobre o pagamento de uma dívida de aproximadamente R$ 5,3 milhões.

A mantenedora do hospital cobra da Prefeitura o pagamento das consultas realizadas pelos servidores do Departamento Municipal de Água e Esgoto (Dmae). A autarquia não renovou o convênio, mas os funcionários seguiram sendo atendidos na unidade de saúde. O vice-prefeito se comprometeu a conversar internamente com a direção do Dmae para definir se a dívida vai ou não ser paga.

A Prefeitura ofereceu a renovação do convênio com o Hospital Porto Alegre por mais um ano. A proposta anterior era de renovação por seis meses. Desde o início de abril, a Secretaria da Saúde deixou de realizar os repasses mensais de aproximadamente R$ 300 mil. A instituição soma 168 leitos e emprega mais de 600 trabalhadores.

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