Porto Alegre, quinta-feira, 30 de Outubro de 2014

  • 05/06/2014
  • 07:38
  • Atualização: 14:13

"Fiquei congelada", conta mulher que teve cabelo roubado

Jovem de 20 anos foi abordada próximo ao shopping Iguatemi, em Porto Alegre

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  • Jéssica Mello / Correio do Povo

Um crime incomum surpreendeu os moradores de Porto Alegre: uma jovem de 20 anos teve os cabelos "roubados" na avenida João Wallig, esquina com a Grécia, na zona Norte da Capital. O assalto ocorreu por volta das 18h30min de domingo, quando Cíntia Baranzelli caminhava, de moletom e capuz, em direção a uma loja de conveniência. O roubo inusitado a deixou sem reação.

Uma moto com dois homens parou um pouco antes da garota e, de acordo com ela, o condutor fez um movimento com os pés, com o veículo desligado, simulando tentar fazer o motor pegar novamente. Nesse momento, o carona desceu e foi em direção a ela de arma em punho. "Ele me pediu celular e dinheiro, mas, como fui só na loja, levei o dinheiro contado e deixei o telefone em casa", contou a vítima. "Várias vezes escutei histórias de pessoas sendo mortas por não ter nem R$ 5 para entregar ao ladrão e então ofereci meus tênis", relembrou.

O assaltante pegou o calçado e pediu que ela virasse de costas. Neste momento, o criminoso pegou no bolso do casco que usava uma tesoura. Cíntia diz que sentia muito medo, principalmente imaginando que o ladrão pudesse cravar o objeto em suas costas. "Mas percebi que ele estava cortando meu cabelo", lembrou. "Fiquei congelada, sem saber o que fazer", disse.

Após cortar o cabelo da vítima, na altura da nuca, o criminoso mandou a garota andar. Ela, devido ao medo, não conseguia se mover. Os ladrões fugiram pela João Wallig. Cíntia foi à sede do 11º Batalhão de Polícia Militar (BPM) - descalça -, para registrar a ocorrência. Lá surgiu a suspeita de que a moto usada pela dupla havia sido roubada naquele dia, na avenida Cristóvão Colombo. Na tarde dessa quarta-feira, policiais buscavam imagens de câmeras de segurança para tentar identificar os criminosos.

Conforme o titular da 9ª Delegacia de Polícia (DP), Alexandre Vieira, responsável pelo caso, a situação não é nada comum. "É inédito isso", afirmou. "Em 30 anos de profissão, nunca vi nada parecido", ressalta. Cíntia já foi ao cabeleireiro para tentar minimizar o corte. No salão, o profissional comentou que o ladrão sabia bem o que estava fazendo. Para a vítima, não é apenas a vaidade de quem cuidava com afinco dos cabelos. "Eu tinha orgulho deles, nunca os prendia e nem lembro de quando ele foi curto. Sigo com medo de andar nas ruas, principalmente de noite, como sempre fiz", afirmou.

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