Porto Alegre, sábado, 20 de Dezembro de 2014

  • 05/06/2014
  • 07:54
  • Atualização: 08:43

Natureza e desenvolvimento urbano em permanente conflito

No Dia do Meio Ambiente, especialistas defendem que é possível preservar e progredir

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  • Karina Reif / Correio do Povo

Cada vez que se projeta uma intervenção urbana, começa uma briga entre ambientalistas e empresários. Por um lado, se defende a preservação. Por outro, a construção. Em Porto Alegre, por exemplo, a derrubada de árvores para o alargamento de ruas se torna caso de polícia. Mas será que os dois lados são realmente opostos? Na semana do meio ambiente, em que se debatem alternativas a sistemas poluentes e devastadores da natureza, essa questão vem novamente à tona.

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A diretora-executiva da Fundação SOS Mata Atlântica, Márcia Hirota, avalia que uma coisa não impede a outra e ambas podem estar relacionadas. “A gente costuma colocar a situação como se tivesse dois lados, mas tudo está de um lado só. A floresta protege as principais nascentes e o fluxo hídrico não só para o consumo, mas para todos os setores da economia”, observa, lembrando que grande parte da água é destinado ao setor agropecuário, por exemplo. Segundo ela, os benefícios dos recursos naturais são para todos e é mais fácil mantê-los, do que correr para recuperar depois.

“Mais de 93% da mata atlântica já foi devastada no Brasil. Portanto, não é o pouco que existe de floresta que está impedindo o desenvolvimento”, ressalta. Na opinião de Márcia, o desenvolvimento precisa acontecer aliado aos patrimônios ambientais. O país poderia, inclusive, lucrar com o turismo ecológico, caso fossem exploradas as paisagens. “A conservação seria um caminho para o desenvolvimento regional”, menciona.
Para especialistas, problemas de gestão e a burocracia na liberação de obras criam uma disputa entre diversos setores da sociedade. Contudo, existem novas ideias relacionando pesquisa, tecnologia, práticas sustentáveis, economia de recursos, uso de fontes alternativas de energia e materiais recicláveis, que proporcionam retorno tanto aos empreendedores como ao meio ambiente.

As construções podem ser mais eficientes e econômicas com algumas alterações na concepção dos projetos e sistemas construtivos. Um dos exemplos é a utilização de processos industrializados. O MiniMod, protótipo gaúcho selecionado para a Bienal Ibero Americana de Arquitectura e Urbanismo - que ocorrerá em outubro na Argentina, reunindo 182 obras de 18 países - foi produzido com esta lógica: 100% industrializado. Um dos idealizadores, o arquiteto Luciano Andrades, explica que a fabricação realizada com esta tecnologia permite um controle maior das etapas e evita o desperdício. “A redução de resíduos é extremamente favorável. Conseguimos ter economia muito grande também de tempo”, assegura.

Implantada na fazenda Pontal em Maquiné, no Litoral Norte, a casa pré-fabricada, que pode ser transportada em um caminhão, ainda alia outras soluções capazes de reduzir a emissão de CO2 na atmosfera, além de filtrar e reaproveitar a água da chuva através da cobertura verde. Ela tem fachada ventilada, o que confere conforto termo-acústico.

Interferências positivas e negativas

A humanidade pode interferir na natureza negativamente e favoravelmente, segundo o professor do Departamento de Arquitetura da Ufrgs e da UniRitter, Sergio Moacir Marques. “Em termos de progresso, não produzimos apenas destruição. Somos capazes de interagir”, reflete. “O homem altera as condições da natureza, assim como o cupim constrói o cupinzal e o joão de barro, a sua casa”, compara. As intervenções, avalia, devem ser de forma ordenada e planejada, usando a ciência e o que ela oferece.

Órgãos especiais

Os municípios brasileiros avançaram muito na criação de órgãos específicos para pensar da questão do meio ambiente. Em 2013, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apurou que 90% das prefeituras tinham um departamento para tratar do assunto. Em 2002, a proporção era de apenas 67,8%, avançando para 84,5%, em 2009. Os percentuais mais elevados estão nas regiões Norte (98,0%), Sul (95,0%) e Centro-Oeste (92,3%), seguidos por Sudeste (89,0%) e Nordeste (85,2%).

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