Porto Alegre, sábado, 25 de Outubro de 2014

  • 09/06/2014
  • 08:16
  • Atualização: 08:29

Rodoviários de Porto Alegre podem parar durante a Copa

Reunião de mediação ocorre à tarde no Tribunal Regional do Trabalho

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  • Fernanda Pugliero / Correio do Povo

Uma reprise da greve dos rodoviários da Capital, que paralisou a cidade por 15 dias em fevereiro, pode se repetir durante a Copa do Mundo. A ameaça depende do resultado de uma reunião de mediação que ocorre na tarde desta segunda-feira no Tribunal Regional do Trabalho (TRT4). A Justiça reunirá rodoviários e empresários para decidir sobre o desconto dos dias não trabalhados durante a paralisação no verão desse ano, período em que a greve foi considerada ilegal. A proposta do TRT, exposta durante a semana passada em reuniões em separado com o sindicato da categoria e o patronal, era de que apenas parte dos dias fosse descontada dos contracheques. Os demais poderiam ser compensados durante as férias.

O sindicato dos empresários sinalizou positivamente quanto à sugestão, apesar de que a maioria das empresas já descontou, em parcelas desde março, os dias parados. Nessa sexta-feira, no entanto, a comissão de greve dos rodoviários, ativa durante a paralisação, cobrou uma proposta melhor. "Se for para julgar que a greve foi ilegal, então que a culpa não seja apenas do trabalhador", criticou Alceu Weber, líder da comissão.

Internamente, entre alguns rodoviários, a imagem de Weber ficou manchada após a efetivação da dedução salarial. Eles o culpam por ter liderado a paralisação, prometendo que não haveria ônus aos trabalhadores. Alguns chegaram a apelidar o abatimento no contracheque de "desconto Weber". 'As pessoas que têm um pouco de discernimento sabem que as decisões foram tomadas em assembleia, não apenas por mim", defende-se.

Weber cobrou ainda que a cúpula do sindicato da categoria - do qual é rival - convoque uma nova assembleia essa semana. Júlio Gamaliel, presidente do sindicato dos rodoviários, afirma que a categoria está magoada com os patrões, que autorizaram os descontos sem esperar pela mediação judicial. "Existe a possibilidade de paralisar conforme o que for decidido no julgamento. Para qualquer decisão que for desfavorável ao trabalhador, faremos uma assembleia para decidir nossa ação", ameaça.

A paralisação durante a Copa do Mundo na Capital, se for concretizada, copiaria a ação dos rodoviários de São Paulo. Os ônibus saíram das garagens pela manhã, mas seriam abandonados nas vias ao longo do dia. "Seria uma greve como a de São Paulo. Na verdade, são eles que estão nos copiando, pois o nosso dissídio coletivo é o primeiro da categoria nacionalmente", disse Gamaliel. A data-base dos rodoviários da Capital é 1 de fevereiro. "Nós não estávamos a fim de fazer desordem nenhuma na cidade durante a Copa, mas poderá, sim, haver uma paralisação."

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