Porto Alegre, quinta-feira, 27 de Novembro de 2014

  • 10/06/2014
  • 08:29
  • Atualização: 08:45

Caso Bernardo: Advogados indicam testemunhas de defesa

Promotora foi listada pelo defensor do médico Leandro Boldrini

Jader Marques listou promotora para depor | Foto: Fernanda Pugliero / Especial / CP

Jader Marques listou promotora para depor | Foto: Fernanda Pugliero / Especial / CP

  • Comentários
  • Fernanda Pugliero / Correio do Povo

O prazo para que os advogados dos denunciados de participação na morte de Bernardo Boldrini entregassem à Justiça as alegações de defesa venceu nessa segunda. Os defensores de Leandro Boldrini, Graciele Ugulini, Edelvânia e Evandro Wirganovicz listaram também as testemunhas que irão depôr sobre o caso. A data de início das audiências de instrução, que precedem o julgamento, ainda não está definida. Os documentos seguem agora para a promotoria de Três Passos, que poderá se manifestar quanto ao teor das alegações.

• Leia mais sobre o caso Bernardo

A grande surpresa nas listas de defesa foi o nome da promotora Dinamárcia Maciel, responsável pela denúncia dos quatro. Jader Marques, advogado do pai de Bernardo, acredita que o depoimento dela é fundamental para entender o que se passou na audiência de mediação, quando o menino procurou a Justiça por causa de desavenças familiares. "Ela poderá contar o que houve nessa audiência, que não foi gravada." Além da promotora, Marques indicou outras 23 testemunhas, entre parentes e amigos do médico, além de policiais.

Nessa segunda, Marques apresentou explicações para os indícios levantados pela Polícia e pela promotoria contra Boldrini. Entre os argumentos do advogado está a hipótese de que Graciele teria um amigo em Frederico Westphalen, município distante 80 km de Três Passos, onde o corpo de Bernardo fora encontrado. "Se há este amigo, é preciso saber se ele está totalmente fora dessa história", afirmou Marques. Leandro, Graciele e Edelvânia foram presos em 14 de abril, mesmo dia em que o corpo do menino foi localizado.

Demetryus Grapiglia, que defende Edelvânia e Evandro, entregou as alegações de defesa dos dois há duas semanas. "Arrolamos duas testemunhas para a Edelvânia e cinco para o Evandro", disse o advogado, não revelando os nomes, alegando questões de precaução. "A nossa tese continua a mesma: de negativa da participação deles no crime", acentuou Grapiglia.

O advogado de Graciele, Vanderlei Pompeo de Mattos, enviou as alegações de defesa pelo correio, ontem. "Duas testemunhas que arrolei, já foram ouvidas pela polícia", contou o advogado. "As demais são amigos e familiares", afirmou Mattos. As 19 testemunhas de acusação foram convocadas pela promotoria quando formalizada a denúncia do crime, no dia 15 de maio. Entre os nomes estão o da delegada Caroline Bamberg e o da avó materna de Bernardo.

O desaparecimento


O corpo do menino Bernardo Uglione Boldrini, 11 anos, natural de Três Passos, foi encontrado na noite de 14 de abril no interior de Frederico Westphalen, no Norte gaúcho. A criança ficou desaparecida por 10 dias. De acordo com informações do pai, o médico Leandro Boldrini, Bernardo teria saído de casa para dormir na casa de um amigo, mas nunca chegou à residência do vizinho.

A operação para encontrar o menino mobilizou o Corpo de Bombeiros, a Brigada Militar e a Polícia Civil. O cadáver estava dentro de um saco, nu, enterrado em uma área de mato numa propriedade rural. A família vivia em Três Passos, distante cerca de 100 quilômetros do local onde o corpo foi encontrado.

A acusação

O juiz criminal da comarca de Três Passos, Marcos Luís Agostini, aceitou a denúncia do Ministério Público (MP) contra os quatro suspeitos de envolvimento na morte do menino Bernardo Boldrini. Responderão a processo criminal como réus o pai do garoto, Leandro Boldrini, a madrasta, Graciele Ugulini, a assistênte social, Edelvânia Wirganovicz e o irmão dela, Evandro Wirganovicz.

O Ministério Público denunciou Leandro Boldrini, Graciele Ugulini e Edelvânia Wirganovicz por homicídio quadruplamente qualificado e ocultação de cadáver. Segundo os promotores Marcelo Dornelles e Dinamárcia Maciel, Leandro seria o mentor da morte do filho. Já Evandro Wirganovicz, irmão de Edelvânia, foi indiciado por homicídio simples e ocultação de cadáver.

Bookmark and Share