Porto Alegre, domingo, 26 de Outubro de 2014

  • 13/06/2014
  • 15:24
  • Atualização: 17:41

Quarto preso pela morte de Bernardo vira réu como participante do crime

MP já havia enquadrado Evandro Wirganovicz pela ocultação do corpo do menino, encontrado morto em abril

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  • Rádio Guaíba

A Comarca de Três Passos aceitou na tarde desta sexta-feira a denúncia complementar do Ministério Público que imputou ao quarto preso pela morte do menino Bernardo Boldrini, Evandro Wirganovicz, o crime de homicídio triplamente qualificado. Pela ocultação do cadáver do garoto, Evandro já era réu no processo, ao lado da irmã dele, Edelvânia Wirganovicz, de Leandro Boldrini (pai de Bernardo) e de Graciele Ugulini (madrasta), acusados da morte de Bernardo.
Agora, ele passa a responder como co-autor do assassinato. Na decisão, o juiz Marcos Luís Agostini também decretou a prisão preventiva de Evandro, cuja prisão temporária vencia hoje, no Presídio Estadual de Três Passos.

Ao analisar o caso, Agostini considerou haver, nos autos, indícios suficientes da participação de Evandro no homicídio. O juiz citou o depoimento de duas testemunhas que afirmaram ter visto o veículo do acusado no dia 2 de abril (dois antes da provável data de execução de Bernardo), próximo ao local onde o corpo de Bernardo foi encontrado. Na primeira oportunidade em que foi ouvido, Evandro negou ter estado no local ou emprestado o veículo a outra pessoa. Mais tarde, ele mudou a versão e admitiu que pescou, nesse dia, no riacho que margeia o ponto.

Além disso, a própria companheira dele afirmou que ambos passaram próximo ao local, em 2 de abril, para ir até a residência da mãe de Evandro. Conforme esse depoimento, ela e Evandro chegaram às 12h e, no fim da tarde, o marido insistiu em sair para pescar, deixando a casa da mãe às 18h30min e retornando próximo das 21h. A mulher também contou que, ao saber do fato e do envolvimento de Edelvânia no crime, ela questionou Leandro sobre a pescaria. O homem, então, chorou e se mostrou “preocupado e nervoso”.

Na semana passada, a Polícia Civil indiciou Evandro por homicídio simples entendendo que ele teve participação direta no crime, mesmo não sabendo, em princípío, quem era a vítima. A promotora de Justiça Sílvia Jappe, porém, entendeu que ele tinha, sim, conhecimento de que o menino Bernardo era o alvo. Segundo o MP, Evandro colaborou no homicídio sabendo que a irmã havia recebido da madrasta de Bernardo a promessa de R$ 6 mil em troca de participação no assassinato, além de auxílio financeiro para a compra de um apartamento. Por isso, foram estendidas a ele as qualificadoras do crime: emprego de veneno para matar (Bernardo morreu vítima de injeção letal de Midazolam) e recurso que dificultou a defesa da vítima.

Bernardo Boldrini foi encontrado morto em 14 abril em uma localidade no interior de Frederico Westphalen, após ficar dez dias desaparecido. Após investigação, a polícia constatou que Graciele Ugulini e Edelvânia Wirganovicz executaram o homicídio. Segundo a Polícia Civil, o pai do menino, o médico Leandro Boldrini, também teve participação na morte, fornecendo o medicamento controlado em uma receita assinada por ele, na cor azul.

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