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18/06/2014 11:09 - Atualizado em 18/06/2014 11:43

Presidente da Ucrânia deve ordenar cessar-fogo unilateral em breve

Plano de paz pretende acabar com a insurreição separatista pró-Rússia

Presidente da Ucrânia deve ordenar cessar-fogo unilateral em breve<br /><b>Crédito: </b> Sergei Supinsky / AFP / CP
Presidente da Ucrânia deve ordenar cessar-fogo unilateral em breve
Crédito: Sergei Supinsky / AFP / CP
Presidente da Ucrânia deve ordenar cessar-fogo unilateral em breve
Crédito: Sergei Supinsky / AFP / CP

O presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko anunciou nesta quarta-feira que "em breve" ordenará um cessar-fogo unilateral no leste do país, parte de um plano de paz para acabar com a insurreição separatista pró-Rússia. "O plano de paz começa com minha ordem de cessar-fogo unilateral", declarou Poroshenko. "Imediatamente depois devemos receber para este plano de paz presidencial o apoio de todos os participantes envolvidos no conflito", acrescentou.  "Isto deve acontecer muito rapidamente", completou Poroshenko.

O anúncio acontece depois que o Kremlin informou na terça-feira à noite que Poroshenko conversou com o presidente russo, Vladimir Putin, sobre um eventual cessar-fogo. O presidente ucraniano pediu a Putin o reconhecimento oficial das novas autoridades do país, após a queda do governo pró-Moscou em fevereiro.

Poroshenko prometeu ainda uma anistia para "aqueles que entregarem as armas e aqueles que não cometeram crimes graves". Também anunciou a substituição do atual ministro interino das Relações Exteriores, Andriy Deshchytsya, um dos desafetos de Moscou, em uma tentativa de apaziguar as relações com a Rússia. Em seu lugar entrará Pavlo Klimkin, enviado ucraniano que está negociando com a Rússia uma proposta de plano de paz da OSCE.

O novo presidente foi eleito em 25 de maio com a promessa de acabar com a maior crise da história desta ex-república soviética, independente desde 1991. Nesta quarta-feira, reiterou sua oferta de anistia aos combatentes que entregarem suas armas e não tenham cometido crimes graves, uma oferta rejeitada por porta-voz da república separatista de Donetsk, um dos redutos insurgentes.

Por outra parte, o comitê de investigação russo anunciou um processo contra o ministro do Interior ucraniano, Arsen Avakov, e outras autoridades por uma operação armada organizada no leste do país "com o objetivo deliberado de matar civis". O ministro e o governador da região ucraniana de Dnipropetrovsk, Igor Kolomoiski, são suspeitos de "organização de homicídios, recurso de meios e métodos de guerra ilegais, sequestro, obstrução do trabalho dos jornalistas", afirma o comitê, que pretende emitir uma ordem de detenção internacional contra eles.

Durante a operação militar iniciada pela Ucrânia em abril no leste do país "em violação ao direito internacional e com o objetivo deliberado de matar um número ilimitado de civis, foram utilizados sistemas múltiplos de lançamento de foguetes Grad, mísseis terra-ar não teleguiados e de fragmentação, assim como outros tipos de armamento ofensivo" sem alvos específicos, segundo o comunicado.

A operação implicou "a morte de mais de 100 civis, entre eles cidadãos russos no exercício de suas obrigações profissionais - os jornalistas Korneliuk, Voloshin e o ativista dos direitos humanos Mironov -", além do "fotógrafo italiano Andrea Rocchelli", todos mortos por disparos de morteiro entre maio e junho, afirma o comitê de investigação. Já o Alto Comissariado de Direitos Humanos da ONU denunciou que os rebeldes pró-russos estão impondo o terror na Ucrânia, torturando e fazendo desaparecer inúmeros opositores, reais ou imaginários.

"O principal problema está no leste do país, em uma das zonas controladas por grupos armados. Temos uma situação onde reina o medo, senão o terror, para quem se encontra lá", afirmou aos jornalistas Gianni Magazzeni, encarregado de um relatório sobre a situação na Ucrânia. Desde a ofensiva lançada em abril contra os rebeldes pelas forças ucranianas, ao menos 356 pessoas morreram, segundo a ONU.

Crise do gás prossegue

A gigante russa Gazprom acusou a Ucrânia de manter em más condições a rede de gás que serve de trânsito ao
gás russo, após uma explosão na véspera de um gasoduto que alimenta países europeus. "Realizamos investimentos suficientes para a manutenção de nosso sistema de distribuição de gás. Não se pode dizer o mesmo do sistema ucraniano. Os gasodutos envelhecem e, portanto, ocorrem acidentes", declarou em uma coletiva de imprensa o vice-presidente do grupo russo gasífero Gazprom, Vitali Markelov.

Uma explosão ocorreu na terça-feira em um trecho de um gasoduto ucraniano que leva gás russo à Europa. Não foram registradas vítimas. O Ukrtransgaz, o operador dos gasodutos ucranianos, indicou que a explosão não afetará o tráfego de gás para a Europa.

O ministro ucraniano do Interior, Arsen Avakov, declarou que se tratava de uma sabotagem russa. Segundo as primeiras informações dos serviços de socorro, a explosão pode ter sido originada em um vazamento ou despressurização de uma das juntas do gasoduto. Este gasoduto de 4.500 km parte da Sibéria até chegar aos clientes europeus através da Ucrânia. A porção russa é operada pelo gigante russo Gazprom.

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Fonte: AFP






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