Porto Alegre, terça-feira, 25 de Novembro de 2014

  • 27/06/2014
  • 15:33
  • Atualização: 15:39

Vaticano expulsa pela 1ª vez um de seus embaixadores por pedofilia

Jozef Wesolowski terá de se submeter a um julgamento na justiça vaticana, que poderá condená-lo à prisão

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  • AFP

O ex-núncio apostólico (embaixador do Papa) na República Dominicana, o polonês Jozef Wesolowski, foi obrigado a abandonar a batina depois de ser acusado de pedofilia, anunciou nesta sexta-feira o Vaticano. "A Congregação para a Doutrina da Fé condenou à demissão de sua função clerical, indica um comunicado do Vaticano. "O acusado tem dois meses para apelar da decisão", afirma o comunicado.

Esta é a primeira vez que o Vaticano expulsa do sacerdócio um de seus embaixadores julgado por pedofilia em virtude das emendas no código penal da Santa Sé implementadas no ano passado. O papa Francisco convocou em agosto Wesolowski para responder pelas acusações contra ele. De acordo com o texto, depois do julgamento canônico, Wesolowski, cidadão vaticano, terá de se submeter a um julgamento penal na justiça vaticana, que poderá condená-lo à prisão. Esse será o primeiro julgamento por abusos sexuais no Vaticano.

A expulsão acontece seis meses depois de o Comitê sobre os Direitos da Criança da ONU ter apresentado o caso Wesolowski como exemplo da falta de iniciativa do Vaticano para resolver os episódios em que padres abusam de menores. Nesta semana, as redes sociais "pegaram fogo" com as imagens do clérigo polonês passeando por Roma e frequentando restaurantes. "Até agora, Wesolowski vinha tendo alguma liberdade de movimento à espera que a Congregação para a Doutrina da Fé comprovasse o fundamento das acusações atribuídas a ele", prossegue o comunicado do Vaticano.

"Levando em conta o veredito que a Congregação acaba de pronunciar, serão tomadas medidas adequadas diante da gravidade do caso", conclui o texto, dando a entender que o padre será colocado em prisão domiciliar. Há uma década a Igreja Católica enfrenta inúmeros escândalos de abusos sexuais contra menores por parte de seus religiosos em várias partes do mundo.

Em janeiro, a Organização das Nações Unidas (ONU) criticou duramente a Igreja por não castigar com a devida contundência a pedofilia e, inclusive, acobertar os casos. Wesolowski foi ordenado em 1972 pelo arcebispo de Cracóvia, o cardeal Karol Wojtyla, que posteriormente foi proclamado papa João Paulo II.

O papa Francisco prometeu acabar com os abusos na Igreja Católica e reiterou, como seus antecessores, que haveria tolerância zero. No ano passado, as leis do Vaticano foram intensificadas castigando com até 12 anos de prisão os atos sexuais com crianças, a prostituição e a pornografia infantil. As autoridades vaticanas informaram no início do ano, em uma reunião com a ONU, que os fiscais do Código de Direito Canônico haviam tratado de 3.420 casos de abusos sexuais com menores na última década.

Desses julgamentos, 848 padres foram obrigados a largar a batina e os 2.572 restantes simplesmente tiveram de optar por "uma vida de oração e penitência" em um mosteiro.

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