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27/06/2014 20:28 - Atualizado em 27/06/2014 21:03

Em depoimento, engenheiro critica uso de espuma na boate Kiss

Miguel Pedroso foi contratado para projeto de isolamento acústico no local em 2011

O engenheiro civil Miguel Ângelo Teixeira Pedroso fez um depoimento detalhado por mais de duas horas, nesta sexta-feira, como testemunha de acusação do processo criminal da Boate Kiss. Sem deixar nenhuma pergunta sem resposta, o engenheiro que reside atualmente em Alegrete, foi inquirido inicialmente pelo juiz Ulysses Louzada e depois por promotores e advogados. Pedroso criticou o uso da espuma na boate.

Ele relatou que fora contratado em 2011 para um projeto de isolamento acústico, já que trabalha com esse material. Pedroso salientou que não trabalhou na modificação de uma estrutura do edifício e que sabia que existia um termo de adequação de conduta, tendo a obra sido executada de acordo com o projeto. Ele reiterou que nunca orientou a colocação de espuma para isolamento acústico. "Não teria coerência se fizesse isso. Não se usa espuma em isolamento acústico", frisou. Disse que mandou tirar a espuma: "É uma porcaria", afirmou.

Perguntado se lã de vidro e gesso liberam material tóxico, respondeu que o gesso acartonado só entra em combustão a 700°C e que a lã de vidro e lã de rocha são materiais minerais e liberam pouco material tóxico. Ao ser questionado se houve alguma modificação no seu projeto, disse que não podia afirmar com certeza. Ele reiterou que não premiava a colocação de qualquer espuma de borracha.

O juiz Ulysses Louzada indagou se ele tinha visto nas imagens da TV alguma modificação no seu projeto. Pedroso respondeu que o  forro do palco teria sido mais rebaixado do que estava previsto. O engenheiro explicou sobre a utilidade da espuma, dizendo que uma coisa é o isolamento acústico, a outra, o tratamento acústico que é feito para melhorar a recepção acústica, para que o som permaneça no ambiente. É o que se chama de reverberação e isso é o que mais se precisa numa boate.

Disse de sua experiência em isolamento acústico ao fazer o projeto de isolamento e tratamento acústico na Faculdade de Música da UFSM. Na sala dos metais fez isolamento acústico com lã de vidro e determinada porção de espuma.

Pedroso salientou que colocar espuma numa boate é um pecado, que é trabalhar contra a própria pessoa. Ele contou ter feito inclusive uma brincadeira com o proprietário da Kiss. "Se quiseres te cobro três ou quatro vezes mais porque estarás botando dinheiro fora".

A uma pergunta feita sobre o rebaixamento do forro, disse que foi feito o rebaixamento para que não houvesse o acesso da pressão sonora direto na laje que vibrava. Afirmou categoricamente que em nenhuma vez houve um projeto seu que fizesse isolamento acústico com espuma.

Acompanharam o depoimento, quatro mães de jovens que morreram na boate Kiss. Elas se deslocaram de Manoel Viana, a 42 quilômetros de Alegrete. Rosemary Liscano, mãe de Cássio Biscaíno, que se formaria em engenharia na Unipampa, quer justiça. "Os filhos estão dentro do túmulo, mas os responsáveis terão de pagar por isso. Eles estão soltos, nós presos pela dor”, disse emocionada.

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Fonte: Alair Almeida/Correio do Povo






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