Porto Alegre, quinta-feira, 23 de Outubro de 2014

  • 28/06/2014
  • 20:36
  • Atualização: 20:58

Justiça processa vice-presidente da Argentina por corrupção

Boudou responde por negociações incompatíveis com cargo que ocupava de ministro da Economia

Amado Boudou é processado por corrupção | Foto: Gustavo Amarelle / Telam / AFP / CP

Amado Boudou é processado por corrupção | Foto: Gustavo Amarelle / Telam / AFP / CP

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  • AFP

O vice-presidente da Argentina, Amado Boudou, de 51 anos, foi indiciado por "suborno" e "negociações incompatíveis" em um caso de corrupção relacionado com a impressão de papel oficial quando ele era ministro da Economia, anunciaram fontes judiciais na sexta-feira à noite.

O segundo principal nome no governo de centro-esquerda da presidente Cristina Kirchner se torna, dessa forma, o primeiro vice-presidente no exercício do cargo da história da Argentina a ser processado em um caso de corrupção.

Por sua condição de vice-presidente e de titular do Senado, Boudou goza de imunidade, a qual pode perder se renunciar, ou se for destituído do cargo. Boudou está em viagem a Cuba e pretende retornar ao país na próxima semana. Na terça-feira, ele é esperado na posse do presidente panamenho recém-eleito, Juan Carlos Varela, mas sua agenda detalhada não foi divulgada.

Neste sábado, o advogado de Boudou, Diego Pirota, antecipou que apelará à Câmara Federal "provavelmente na próxima sexta". Pirota denunciou a "animosidade" do juiz contra seu cliente. "Falei com Boudou, e o indiciamento não nos surpreendeu em nada", disse o advogado à rádio América, criticando que "o (aspecto) jurídico não interessa a ninguém aqui, (a sentença) parece um conto de fadas contado de forma fantástica".

Na visão do analista Rosendo Fraga, da consultoria Nueva Mayoría, em entrevista ao canal Todo Noticias, "para o governo é um golpe muito duro, porque há muita atenção ao contexto político". O juiz federal Ariel Lijo acusou Boudou de usar sua influência para ajudar a empresa Ciccone a evitar a falência em 2010, quando era ministro da Economia, e de comprá-la por meio de um misterioso fundo de investimento chamado The Old Fund.

Antes de viajar, o vice-presidente pediu ao juiz na sexta-feira à tarde uma audiência para estender o seu testemunho em uma corte federal que investiga a compra da empresa Ciccone Calcográfica, única a emitir cédulas e documentos oficiais do país. "Boudou, aproveitando sua posição como funcionário público, e Nuñez Carmona, teriam acordado com Nicolás e Héctor Ciccone e William Reinwick a transferência de 70% da empresa Ciccone Calcográfica em troca da realização de atos necessários para que a empresa pudesse voltar a operar e assinar contratos com a administração pública", afirma o texto da sentença, de 333 páginas.

Além de Boudou, o juiz Lijo também acusou um sócio e um suposto laranja da operação, assim como outros três envolvidos no caso, segundo o Centro de Informação Judicial (CIJ), o site oficial das notícias do Judiciário na Argentina. A decisão do juiz impõe aos seis envolvidos um "processo sem prisão preventiva" e ordena o embargo de 200 mil pesos (cerca de 25 mil dólares) sobre os bens de Boudou, de acordo com a mesma fonte, que divulgou o indiciamento à meia-noite.

Boudou declarou inocência durante uma audiência que se estendeu por mais de sete horas no dia 9 de junho pela compra da empresa que emite papel-moeda. Ele diz ser vítima de uma campanha da imprensa e de setores econômicos, que buscam ofuscar o êxito do acordo alcançado no mês passado com o Clube de Paris.

O juiz determinou que Boudou deverá ampliar sua defesa em 16 de julho, conforme solicitado pelo próprio vice-presidente. Nessa data, ele chefiará o Executivo, já que a presidente Cristina deve estar no Brasil como convidada para a cúpula do Brics (acrônimo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul).

Boudou tem recebido o apoio do governo, mas Cristina não deu qualquer declaração sobre o caso nas últimas horas. 

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