Porto Alegre, sexta-feira, 28 de Novembro de 2014

  • 30/06/2014
  • 19:09
  • Atualização: 19:11

Gastos do setor público com juros subiram 5,92% em maio ante maio de 2013

Rombo nas contas públicas atingiram R$ 32,44 bilhões em maio, o maior valor desde dezembro de 2008

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  • AE

Diante de uma inflação persistentemente acima da meta e da elevação da taxa básica (Selic) para um nível superior ao do início do governo Dilma Rousseff, os gastos do setor público com juros subiram 5,92% frente a maio do ano passado - resultado que colaborou para que o rombo nas contas públicas atingisse R$ 32,444 bilhões em maio, o maior valor desde dezembro de 2008.

Esse buraco foi construído quase que totalmente pelo governo central, formado por governo federal, Banco Central e Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), cujo déficit nominal foi de R$ 26,938 bilhões. Os governos regionais apresentaram saldo negativo de R$ 5,241 bilhões e as empresas estatais de R$ 265 milhões.

Túlio Maciel, chefe do Departamento Econômico do BC, explicou que os ganhos com contratos de swap cambial em maio, de R$ 2,202 bilhões, colaboraram no sentido de reduzir as despesas com juros. No entanto, ele observou que a inflação e o aumento da Selic atuaram no sentido contrário e elevaram a dívida ligeiramente.

O resultado nominal do governo representa a diferença entre o total de despesas e de receitas, incluindo os gastos com juros. É diferente da meta fiscal, definida como um superávit primário: uma espécie de poupança que o governo faz para honrar o serviço da dívida. Desde 2012, a presidente Dilma Rousseff enfrenta uma crise de confiança com investidores pelo uso de expedientes não tradicionais para fechar o superávit primário, que tem uma meta definida no Orçamento deste ano de R$ 99 bilhões, equivalente a 1,9% do Produto Interno Bruto (PIB).

Como consequência do aumento dos gastos, a dívida líquida do País cresceu ligeiramente de 34,2% do PIB para 34,6% em maio - nível ainda confortável e abaixo da maioria dos países desenvolvidos. A dívida bruta também cresceu, de 57,8% para 58%. "A mudança da dívida de abril para maio deveu-se fundamentalmente ao déficit nominal no mês", afirmou. Além disso, segundo Maciel, a dívida líquida atingiu em maio o patamar mais alto desde outubro de 2013, quando estava em 34,72%.

Os dados acumulados no ano também apresentaram, segundo analistas de mercado, resultado frustrante. Nos cinco meses até maio, o rombo nas contas externas cresceu 30,40% comparado a igual período de 2013, passou de 2,80% do Produto Interno Bruto (PIB) para 3,38%.

Rafael Bistafa, economista da Rosenberg Associados, avaliou que, diante dos dados apresentados, ainda que o governo conte com receitas extraordinárias no segundo semestre do ano, será difícil alcançar a meta fiscal de superávit primário de 1,9% PIB.

"Em maio costumamos registrar superávit ao redor de R$ 6 bilhões. Neste ano registramos déficit de R$ 11 bilhões. Estamos bastante aquém da trajetória necessária para cumprir as metas fiscais do ano, que já são reduzidas", criticou. "Esse ano, mesmo com forte influência de receitas extraordinárias, o resultado vai ficar aquém da meta."

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