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Porto Alegre, terça-feira, 25 de Setembro de 2018

  • 09/08/2017
  • 16:18
  • Atualização: 16:35

Escolas de Cachoeirinha podem ficar sem merenda até o fim do ano letivo

Prefeitura alega que não há dinheiro suficiente para atender as 33 instituições do município

Escolas de Cachoeirinha estão recebendo merenda em quantidades reduzidas pela prefeitura | Foto: Fernanda Bassôa / Especial / CP

Escolas de Cachoeirinha estão recebendo merenda em quantidades reduzidas pela prefeitura | Foto: Fernanda Bassôa / Especial / CP

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  • Fernanda Bassôa

A crise financeira pela qual passa Cachoeirinha chegou nas cantinas e refeitórios da rede municipal de ensino. As escolas de ensino fundamental e de educação infantil estão recebendo merenda em quantidade reduzida, os cardápios estão sendo readequados e a situação só tende a piorar.

Professora há 12 anos da escola Getúlio Vargas, no bairro Vista Alegre, o segundo maior colégio do município, e delegada sindical do Sindicato dos Municipários de Cachoeirinha (Simca), Valdete Moreira, disse que as crianças alternam entre bolacha água e sal, no café da manhã, e pipoca. “Estão proibidas de repetir as refeições. Se continuar desta forma só teremos comida para mais uma semana, mesmo recebendo de forma racionada. A situação é caótica", reclamrou Valdete. "E o pior é que não podemos aceitar doações da comunidade. Um absurdo. Isso é fruto de má administração, de gerenciamento, onde o governo usa recursos de uma rubrica para cobrir dívidas de outra. As crianças estão pagando por isso", acrescentou. 

A secretária de educação do município, Rosa Maria Lippert, admite o problema e enfatiza que realmente não há dinheiro suficiente para a merenda das 33 instituições até o final do ano letivo. “Diante desta situação, já prevista desde o início do ano, encaminhamos para a Câmara de Vereadores, na semana passada, o projeto de lei que autoriza o Executivo utilizar o recurso do Salário-Educação para a compra de merenda escolar", afirmou. "O projeto foi encaminhado em caráter de urgência, pois existe sim o risco dos 11 mil estudantes ficarem sem as refeições", disse. Segundo ela, 2,9 mil alunos da educação infantil (turno integral) recebem quatro refeições ao dia e o restante, de turno parcial, duas refeições diárias.

De acordo com dados da prefeitura de Cachoeirinha, o recurso federal do Programa Nacional de Alimentação Escolar não foi suficiente para cobrir as despesas referentes ao fornecimento de toda alimentação escolar até o final do ano letivo.

Devido à crise financeira, a previsão orçamentária para alimentação escolar com recursos próprios da prefeitura, com base na receita líquida para este exercício, foi inferior ao valor necessário para aquisição dos produtos. O valor mínimo necessário para garantir o abastecimento, com cardápio adequado, para os 11 mil anos da rede até o fim de 2017, seria de R$ 996,3 mil. Além disso, há pendências financeiras com fornecedores, do ano de 2016, que totalizam quase R$ 473 mil.

A assessoria da Câmara de Vereadores do município informou que o projeto está sendo analisado pela Comissão de Constituição e Justiça para, posterior, ser encaminhado aos vereadores que compõem a Comissão de Orçamento e Finanças. Há um prazo de 15 dias para o mesmo entrar em votação.