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Porto Alegre, terça-feira, 18 de Setembro de 2018

  • 26/01/2018
  • 14:48
  • Atualização: 21:36

Trabalhadores da Fundação Getúlio Vargas bloqueiam a ERS 118

Em greve, profissionais reclamam de atrasos salariais

Trabalhadores da Fundação Getúlio Vargas bloqueiam a ERS 118 | Foto: Fernanda Bassôa / Especial / CP

Trabalhadores da Fundação Getúlio Vargas bloqueiam a ERS 118 | Foto: Fernanda Bassôa / Especial / CP

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  • Fernanda Bassôa

Trabalhadores da Fundação Hospitalar Getúlio Vargas, de Sapucaia do Sul, que suspenderam no fim da tarde desta sexta-feira (26) a greve iniciada na terça (23) devido a atrasos salariais que ocorrem desde outubro e falta de pagamento de férias e da segunda parcela do 13°, realizaram o bloqueio da ERS 118 nesta sexta. A interrupção da rodovia, que durou cerca de três horas, causou transtornos no trânsito e teve reflexos na BR 116. De acordo com o Comando Rodoviário da Brigada Militar, o movimento gerou um congestionamento de 90 a 100 veículos. A categoria realiza nova assembleia na segunda (29), às 14h.

Segundo o presidente do Sindisaúde do Vale do Sinos, Andrei Rex, o Estado do Rio Grande do Sul, que está em atraso com a Fundação, cujo o débito já ultrapassa R$ 12,8 milhões, não cumpre o seu papel.

“A prefeitura já entrou na Justiça para cobrar a dívida, mas o governo não está agindo conforme determinou as medidas judiciais. Enquanto isso, quem sofre são os trabalhadores e a população que precisa do atendimento e encontra dificuldades. A saúde é de todos e um dever do Estado”, disse Rex.

Técnica de Enfermagem que trabalha na emergência do Getúlio Vargas, Celoi Coelho, 57 anos, disse que falta papel toalha e até mesmo papel higiênico. “Não tem sabão e falta material para curativo." 

A Fundação Hospitalar Getúlio Vargas (FHGV) informou que não há nenhuma sinalização de repasse e salientou, em nota, que o diretor geral da Fundação, Gilberto Barichello, embora reconheça a legitimidade do movimento, não é a favor da greve. “Ao contrário do que tem sido divulgado, não há qualquer negociação em relação ao abono de ponto dos grevistas. As horas não trabalhadas serão consideradas como falta. A FHGV está em contato direto com o Governo do Estado e com o Executivo Municipal na busca de uma solução imediata para as pendências com seus trabalhadores.” Sobre o assédio e a coação, a Fundação disse que isso não ocorre. Na tarde desta sexta (260, a Fundação informou que, assim que o repasse se confirmar, serão quitadas as pendências com os trabalhadores relativas ao pagamento de salários do mês de dezembro, à segunda parcela do 13º salário, às férias, rescisões e profissionais autônomos.

A secretaria de Saúde do Estado informou que não houve bloqueio das contas do Estado. O Tribunal de Justiça, que determinou na última sexta-feira o repasse da competência de novembro, no valor de R$ 3.934.803,00, em um prazo de 48 horas, sob a condição de ter as contas bloqueadas, informou que o Governo do Estado foi intimado da decisão no dia 23 de janeiro. Ressaltou ainda “que o prazo já venceu e o Estado necessita devolver os autos do processo, com a resposta, para que o desembargador avalie se cabe alguma decisão.”

Na tarde desta sexta-feira (26), o governo estadual informou que, na próxima semana, entre os dias 30 e 31 de janeiro, a Secretaria Estadual da Saúde vai repassar R$ 176 milhões à área hospitalar. Com este valor, serão quitadas todas as pendências com as instituições que prestam serviços ao Sistema Único de Saúde. Ainda segundo o Estado, somados aos pagamentos já realizados ainda neste mês de janeiro, de R$ 142 milhões ( R$ 85 milhões de recursos federais e R$ 57 milhões do Tesouro do Estado), o estado vai repassar um total de R$ 318 milhões aos hospitais filantrópicos e Santas Casas.

O pagamento foi divulgado nesta sexta-feira, 26, pelo secretário estadual da Saúde, João Gabbardo dos Reis. Segundo Gabbardo, com os valores que serão pagos até o final do mês, seria possível, por exemplo, construir quase cinco hospitais do porte do Hospital Regional de Santa Maria. Ele informa ainda que a próxima etapa da SES será buscar uma solução para o pagamento das dívidas com os municípios.