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Porto Alegre, quinta-feira, 20 de Setembro de 2018

  • 21/06/2018
  • 08:49
  • Atualização: 09:20

Santa Casa de Pelotas tem 900 pessoas na fila para cirurgias eletivas

Atraso de repasses e defasagem da tabela SUS são apontados como causas da situação

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  • Angélica Silveira

A Secretaria Municipal de Saúde confirmou que 900 pessoas aguardam na fila para a realização de cirurgias eletivas na Santa Casa de Misericórdia de Pelotas. Atualmente, 53 pessoas estão internadas no hospital aguardando cirurgias no setor de traumatologia. Conforme o provedor da institução, Lauro Melo, desde que teve início a demanda da traumatologia, em 2009, começou o problema da fila de espera. “Das pessoas que estão esperando no hospital por um procedimento ou estabilização do caso, todas foram internadas pelo setor de urgência e emergência”, completa.

Ele conta que em abril houve um problema no autoclave, equipamento que esteriliza equipamentos cirúrgicos, o que motivou o cancelamento de cirurgias. “Na época, a Fundação de Apoio Universitário nos auxiliou. Hoje temos o mesmo problema por causa do déficit financeiros do hospital”, explica. Ele conta que o déficit, que há um ano era de R$ 1,9 milhão, hoje é de R$ 1,1 milhão mensal. “A tabela SUS está com os mesmos valores há 14 anos e o valor dos procedimentos só aumentou, o que fez com que a fila aumentasse também”, destaca. Melo diz que desde outubro do ano passado o repasse do incentivo estadual chega ao hospital com até 60 dias de atraso.

O repasse para o atendimento em quatro áreas (traumatologia, atendimento 24 horas da bucomaxilofacial, disponibilidade de leitos clínicos e apoio a gestante) é de aproximadamente R$ 338 mil mensais. “Na primeira quinzena de junho, os incentivos de março e abril estavam em atraso. O de março pagaram no final de semana o de abril segue atrasado.” O hospital, que nesta quarta-feira completou 171 anos, possui 328 leitos. Destes, 270 são utilizados pelo SUS. “Recebemos o repasse com defasagem e temos que lidar com juros, pagamentos sem negociação com fornecedores, atraso nos salários dos 1.126 funcionários que não conseguimos quitar no 5º dia útil”, enumera. A Secretaria Estadual de Saúde confirmou que a parcela de abril ainda não foi quitada. A previsão é de que o pagamento ocorra neste mês.

Pacientes sofrem as consequências

Maria Rosane da Silveira, 56 anos, espera desde o dia 1º de maio por uma cirurgia no fêmur. “Estamos indignados com a situação. Ela já teve duas infecções urinárias por causa da sonda que teve que colocar para seguir esperando no hospital. Nos disseram que a cirurgia será na próxima segunda-feira, temos esperança”, admite a prima de Maria, Neiva da Silveira que acompanha a familiar no hospital. Quem também segue na espera há mais de 40 dias é a cabelereira, Elis Regina Marques, 47 anos. “Estou há 43 dias esperando uma cirurgia em uma perna que está com fixador. A primeira vez o procedimento foi adiado por causa da greve dos caminhoneiros, agora ficou para a próxima quinta-feira”, observa.