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Porto Alegre, terça-feira, 18 de Setembro de 2018

  • 07/08/2018
  • 19:46
  • Atualização: 20:39

Santa Casa de Pelotas fecha 19 leitos pelo SUS na Maternidade

Suspensão deve-se à crise financeira do hospital, segundo a direção

Santa Casa de Pelotas fecha 19 leitos pelo SUS na Maternidade | Foto: Angélica Silveira

Santa Casa de Pelotas fecha 19 leitos pelo SUS na Maternidade | Foto: Angélica Silveira

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  • Angélica Silveira

A Santa Casa de Misericórdia de Pelotas anunciou o fechamento de 19 leitos do SUS na Maternidade até o próximo dia 17, pelo menos. A direção afirma que a medida foi tomada em função da crise financeira pela qual passa o hospital. “Decidimos fechar tendo em vista a dificuldade de pagamento, com atrasos dos repasses dos incentivos estaduais. Estamos com dificuldades de contratar obstetras para participar da escala da Maternidade”, relara o provedor Lauro Melo. Ele diz que solicitou ao Ministério Público prazo de 15 dias para reorganizar a rotina do setor e encontrar recursos que garantam o funcionamento sem perder a importância e qualidade. A Secretaria Municipal de Saúde foi informada da situação. A Maternidade tem 42 leitos, sendo 25 deles pelo SUS. Destes, seis são de Obstetrícia Clínica para pacientes com intercorrências e já estavam fechados. Os outros 19, destinados aos partos, estão agora suspensos. 

 A crise também levou ao fechamento, gradativamente, de 30 leitos clínicos do SUS que serviam de retaguarda ao Pronto-Socorro da cidade. “Como se mantêm os atrasos em média por 60 dias, o hospital se descapitalizou e perdeu recursos que havia conseguido desde o segundo semestre do ano passado”, lamenta Melo. Segundo ele, a administração do hospital economizou quase R$ 200 mil mensais, revisando contratos e combatendo o desperdício. “Além disso, conseguimos quase R$ 550 mil mensais com novos serviços. Porém, os repasses atrasados retiraram esses excelentes resultados financeiros. Caso não haja recursos públicos complementares ou possibilidade de renovação de empréstimos, a Santa Casa vai continuar a diminuir atendimento.”

A direção prepara para a próxima semana o ato “Um minuto de silêncio em socorro à Santa Casa”. “Ainda não definimos dia e horário, mas será uma maneira de sensibilizar as pessoas sobre a crise que vivemos. A ideia é não chegar à situação de outras cidades da região que têm até três salários atrasados”, informa o provedor. Na segunda-feira, ele participou de reunião com o secretário estadual de Saúde, Francisco Paz. Lauro Melo disse que recebeu a informação de que a normalização dos repasses para o hospital, em atraso desde maio deste ano, não tem previsão de ocorrer. O déficit mensal da Santa Casa supera R$ 1 milhão. A Secretaria de Saúde do Estado informou que deve ao hospital os incentivos estaduais relativos ao mês de junho.