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  • 14/08/2018
  • 19:00
  • Atualização: 20:39

Morre mulher que descobriu câncer dois meses após exame ter dado negativo

Família da vítima deverá processar a prfeitura de Pelotas

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  • Angélica Silveira

Foi enterrada no último fim de semana em Pelotas, no Sul do Estado, Emanuelle Machado da Silva, de 33 anos. Ela morreu na última sexta-feira, vítima de câncer. Segundo sua tia, Ana Clara Machado, em julho de 2015 a auxiliar de serviços gerais começou a ter sangramentos e incontinência urinária e procurou a Unidade Básica de Saúde do Barro Duro, no Laranjal em Pelotas.

Emanuelle fez o exame Papanicolau – que na época era analisado pelo Serviço Especializado em Ginecologia (SEG) – e deu negativo para câncer. “Em setembro do mesmo ano, com os sintomas o médico da UBS indicou que ela procurasse o serviço de ginecologia do Hospital Escola da Universidade Federal de Pelotas, já que ela seguia sangrando. Minha sobrinha fez exames na rede privada que apresentaram lesões grau quatro para maligno”, relatou.

Pelo exame, o câncer já havia se espalhado para o rim esquerdo e a uretra. “Segundo os médicos não havia mais o que fazer. Apenas cuidados paliativos, como quimioterapia que ela conseguiu fazer uma sessão e radioterapia”, completou a tia, que cuidou de Emanuelle no hospital. Ela contou que a sobrinha ficou em busca de tratamento até falecer e esteve internada no último mês. Emanuelle deixou um filho de 15 anos.

A intenção da família é processar tanto a prefeitura como o Serviço Especializado de Ginecologia, laboratório que fez a análise do exame. “Se tivesse tido um diagnóstico antes ela teria tido mais chances. Não tem explicação como o pré-câncer não acusou nada. Impossível se alastrar tão rapidamente como foi”, lamentou. A advogada Samira Pereira representa a família da Emanuelle. “Na sexta-feira temos uma reunião com familiares e estaremos ingressando com ação indenizatória na próxima semana. A negligência é nítida nos exames”, destacou.

Casos atuais passam por auditoria

A Prefeitura de Pelotas disse que passam por uma auditoria, na Secretaria Municipal de Saúde, todos os casos atuais de tratamento de câncer do colo do útero. O serviço de saúde pública de Pelotas fez todos os encaminhamentos para o diagnóstico e tratamento pelo SUS de Emanuelle. A assessoria de comunicação do município afirma que não houve negligência por parte do município, visto que foram cumpridos todos os protocolos.

Informações mais detalhadas serão conhecidas ao término da sindicância administrativa que investiga o caso, no âmbito da Procuradoria-Geral do Município. O resultado será encaminhado às autoridades competentes, como o Ministério Público e Polícia Federal. Sobre a entrada na justiça da família de Emanuelle, a prefeitura disse que não recebeu nenhuma notificação.

Laboratório: casos são “explicáveis”

O laboratório SEG, que está sendo investigado pelo Ministério Público e Polícia Federal é suspeito de realizar análises por amostragem nos laudos de exames de Papanicolau entre 2014 e 2017, nega esta acusação. Conforme a advogada do laboratório, Cristiane Ualt Fonseca, todos os casos que estão aparecendo são explicáveis: “Estamos reunindo material para refutas essas acusações em específico”, concluiu. Ainda conforme Cristiane, o resultado do exame de Emanuelle indicou inflamação por Gardnerella em nível endocervical, ou seja, inflamação profunda. Ela diz que essa inflamação dificulta a visualização de células neoplásicas. "Outrossim, na requisição da paciente onde consta o exame clínico que é feito na UBS, a inspeção do colo do útero dá 'normal'", diz. 


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