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Porto Alegre, quinta-feira, 20 de Setembro de 2018

  • 17/08/2018
  • 20:28
  • Atualização: 21:14

Comunidade faz manifestação em prol da Santa Casa de Pelotas

Hospital está com leitos do SUS fechados em razão da crise financeira

Manifestantes expressaram solidariedade à instituição nesta sexta-feira | Foto: Angélica Silveira / Especial / CP

Manifestantes expressaram solidariedade à instituição nesta sexta-feira | Foto: Angélica Silveira / Especial / CP

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  • Angélica Silveira

Dezenas de pessoas, entre funcionários e comunidade em geral, pararam as atividades na manhã desta sexta-feira para participar de um ato em frente à Santa Casa de Misericórdia de Pelotas. O objetivo foi protestar contra os atrasos nos repasses estaduais e a defasagem nos valores enviados pela União. “Queremos conscientizar a população sobre a situação que enfrentamos. É um momento de apelo, de solidariedade para um hospital, que tem 171 anos, se unindo à comunidade. Infelizmente a falta de recursos públicos está trazendo uma situação caótica”, lamenta o provedor Lauro Melo.

Foi feito um minuto de silêncio devido à situação do hospital, que permanece com os 19 leitos da Maternidade pelo Sistema Único de Saúde suspensos, assim como outros 32 que serviam de retaguarda ao Pronto-Socorro municipal. O atendimento do hospital é 80% pelo SUS. “São R$ 338 mil mensais do Estado que estão levando quase 60 dias para chegar ao hospital, o que faz com que os funcionários recebam os salários em três parcelas mensais”, diz o provedor.

As dívidas com os bancos chegam a R$ 38 milhões, com os fornecedores são de R$ 24 milhões e com os médicos ficam em R$ 18 milhões, além de R$ 5,3 milhões com a Receita Federal e de R$ 3,6 milhões com o FGTS, totalizando R$ 88,9 milhões. O déficit mensal do hospital é em torno de R$ 1,3 milhão. “Tínhamos conseguido fechar o ano passado em R$ 1,1 milhão, mas os atrasos estaduais aumentaram para R$ 1,3 milhão, e a tendência é seguir crescendo”, lamentou.

Melo destacou a medida provisória assinada nesta semana pelo presidente Michel Temer que prevê linha de crédito, com recursos do FGTS, aos hospitais filantrópicos. Segundo ele, a MP poderá significar um aporte de recursos para a instituição, reduzindo os juros de 22% para 8,5% por ano. “Para a Santa Casa, significa que a dívida bancária, que todo o mês é de R$ 1,1 milhão, cai para R$ 450 mil, ou seja, seriam em torno de R$ 650 mil mensais a mais, com mais R$ 7 milhões por ano”, projeta. Sobre os repasses de incentivos estaduais, a Secretaria da Saúde do Estado informou que segue em aberto o mês de junho.