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Porto Alegre, sexta-feira, 21 de Setembro de 2018

  • 31/08/2018
  • 08:45
  • Atualização: 08:48

Médicos de hospital de Gramado cobram pagamentos

Profissionais do Arcanjo São Miguel podem reduzir atendimentos caso não recebam

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  • Halder Ramos

O corpo clínico do Hospital Arcanjo São Miguel (HASM), de Gramado, definiu em assembleia na noite de quarta-feira que irá paralisar os atendimentos de especialidades caso os salários não sejam pagos. Com déficit mensal de R$ 350 mil, o estabelecimento é administrado por uma comissão municipal de intervenção. O hospital não havia pago os vencimentos de junho, julho e agosto.

Foi definido por maioria simples que, caso não ocorram os pagamentos, os médicos entram em greve e passam a atender apenas os casos de urgência e emergência. O sindicato da categoria está preparando notificação oficial para a administração do hospital, dando o prazo de 20 dias corridos para a regularização da situação. “O corpo clínico deixa claro que não quer que a população seja prejudicada, porém não compactua com mais de dois anos de constante atrasos, com três anos sem qualquer reajuste e contrato Pessoa Jurídica, sem direito trabalhista algum”, descreve a nota dos profissionais.

O presidente da comissão de intervenção do Hospital São Miguel, Paulo Rogério Sá de Oliveira, observa que a entidade ainda não foi notificada oficialmente da decisão, mas pondera que os pagamentos começaram a ser realizados nessa quinta-feira. “Recebemos um adiantamento de R$ 1 milhão da Prefeitura de Gramado. O recurso é usado exclusivamente para o pagamento dos médicos”, afirma Oliveira.

Segundo o interventor, o repasse irá custear dois meses de salário. Ele informa que o valor total da dívida com os médicos era de R$ 1,6 milhão. “Ficará em aberto o mês de agosto. Devemos receber recursos dos planos de saúde até sexta-feira e vamos usar o valor para tentar normalizar a situação”, diz. Conforme Oliveira, o objetivo da comissão de intervenção é reduzir o déficit mensal da casa de saúde. “Vamos buscar outras fontes de recursos para manter as contas em dia e investir em melhorias.”

O hospital está sob intervenção municipal desde fevereiro de 2016. A última prorrogação da medida foi na semana passada, valendo até 17 de fevereiro de 2019. O São Miguel tem 96 leitos e atende 60% pelo SUS.