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Porto Alegre, sábado, 22 de Setembro de 2018

  • 10/09/2018
  • 08:36
  • Atualização: 08:43

Obra de residencial em Sapucaia do Sul gera reclamações

Com 376 unidades, Loteamento Moradas da Colina apresenta problemas de infraestrutura

Segundo a Caixa, a construtora elabora levantamento dos serviços inacabados | Foto: Fernanda Bassôa / Especial / CP

Segundo a Caixa, a construtora elabora levantamento dos serviços inacabados | Foto: Fernanda Bassôa / Especial / CP

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  • Fernanda Bassôa

Famílias do Loteamento Moradas da Colina, no bairro Vargas, em Sapucaia do Sul, reclamam de problemas de infraestrutura nas moradias, nas redes de esgoto, água e iluminação e de serviços inacabados. As unidades são do Programa Minha Casa Minha Vida. A dona de casa Valéria Regina da Silva diz que o esgoto corre a céu aberto em frente à residência. “Em dias secos precisamos nos fechar por causa do forte odor, sem falar na proliferação de bichos e mosquitos. O cheiro que corre pela rua também sai pelo ralo da pia. Quando chove, escorre água das paredes por causa de infiltrações. Fiquei um dia sem janela porque simplesmente caiu.”

Marta Zimmermann Estevan destaca que há muitas crianças e idosos no loteamento. “A falta de calçamento prejudica a locomoção das pessoas e torna a caminhada bem perigosa.” O autônomo Gilberto Duarte, e a esposa, a costureira Maria Rosane Duarte, chegaram ao loteamento em maio e precisaram investir mais de R$ 3 mil para conseguir viver no local. “Nos deparamos com a rede de esgoto entupida e a fossa coberta por restos de obras. Não tínhamos água nem luz. Os encanamentos estão inacabados. Há muitas famílias passando trabalho por conta disso tudo”, afirma Gilberto. As famílias informam que solicitaram à prefeitura a mediação com a cooperativa construtora a fim de solucionar o impasse.

Conforme a secretária municipal de Planejamento Urbano, Bernadete Konzen, não cabe ao Executivo responder pelo empreendimento já que é de responsabilidade da construtora em conjunto com a Caixa Econômica Federal. Segundo ela, o papel da prefeitura foi apenas indicar as famílias que se encaixavam nos critérios do Minha Casa Minha Vida e de reassentamento, mas informa que a administração reúne-se com a cooperativa, a fim de agilizar a conclusão da obra.

Segundo a Caixa Econômica Federal, o empreendimento está com 95,78% das obras executadas e a cooperativa responsável optou por permitir a ocupação pelas famílias beneficiárias sem autorização do banco, antes da conclusão, em razão dos sucessivos furtos de materiais e ameaças de invasão. Informa ainda que a construtora elabora levantamento dos serviços a fim de avaliar alternativas para conclusão e legalização do empreendimento. Até agora, são 52 unidades com Habite-se emitido pela prefeitura. Os responsáveis pela construtora não foram encontrados para falar sobre o assunto. 

Dos 376 imóveis, 160 foram destinados às famílias retiradas da faixa de domínio da ERS 118 e 42 para as oriundas de remoções nas margens do arroio José Joaquim. Já as 174 unidades restantes foram destinadas a indicações da Promotoria de Justiça e da Assistência Social, além de pessoas já credenciadas no Minha Casa Minha Vida. Pelas moradias, que têm 48 metros quadrados de área construída, cada família pagará, mensalmente, 10% da renda declarada ou comprovada.