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Porto Alegre, sábado, 22 de Setembro de 2018

  • 14/11/2016
  • 14:01
  • Atualização: 14:18

Com Trump, mercado acredita em corte menor na taxa de juros no Brasil

Estimativas apontam para uma redução de 0,25 %, o que deixaria a Selic em 13,75%

Com Trump, mercado acredita em corte menor na taxa de juros no Brasil | Foto: Jim Watson / AFP / CP

Com Trump, mercado acredita em corte menor na taxa de juros no Brasil | Foto: Jim Watson / AFP / CP

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  • AE

Os economistas do mercado financeiro ouvidos pelo Banco Central no Relatório de Mercado Focus passaram a apostarem uma menor redução da taxa de juros na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para os dias 29 e 30 deste mês.

Até a semana passada, o mercado esperava um corte de 0,50 ponto porcentual na Selic, que está atualmente em 14% ao ano para 13,50% aa. Agora - após a surpresa com a eleição do republicano Donald Trump para a presidência dos Estados Unidos e possíveis mudanças na política econômica americana com reflexos domésticos -, as estimativas apontam para uma redução de 0,25 p.p., o que deixaria a taxa em 13,75% anuais ao fim de 2016.

Já a taxa básica para o fim de 2017 permaneceu em 10,75% ao ano. Há um mês, a projeção para a Selic ao fim do próximo ano era de 11% aa.

Na última ata do Copom, publicada no dia 25 de outubro, o colegiado voltou a afirmar que eventual intensificação do movimento de corte do juro dependerá da "evolução favorável de fatores". No documento da reunião em que o Banco Central reduziu o juro de 14,25% para 14%, os diretores da instituição argumentam que "a convergência da inflação para a meta em 2017 e 2018 é compatível com uma flexibilização moderada e gradual das condições monetárias".

Câmbio 

O documento divulgado pelo Banco Central indicou que a cotação da moeda estará em R$ 3,22 no encerramento de 2016, acima dos R$ 3,20 da projeção da semana anterior. Um mês atrás, estava em R$ 3,25. O câmbio médio de 2016 permaneceu em R$ 3,43 - onde já estava um mês antes.

As projeções não captaram totalmente o movimento da última sexta-feira, quando o Banco Central precisou intervir com força no mercado para segurar a alta do dólar, que chegou a bater na casa dos R$ 3,50. Para frear a explosão do câmbio, a autoridade monetária - que já havia suspendido a oferta de swap cambial reverso na quarta-feira - realizou três leilões de swap cambial tradicional com um montante de US$ 1,702 bilhão em contratos vendidos. Ainda assim, a moeda americana fechou o dia cotada a R$ 3,4053, no maior patamar desde 21 de junho deste ano, quando encerrou o dia vendida R$ 3,4134.

Inflação 

O Relatório traz leve mudança para a projeção de inflação em 2016. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) estimado para este ano passou de 6,88% para 6,84%. Há um mês estava em 7,01%. Já o índice para o ano que vem passou de 4,94% para 4,93%. Há quatro semanas apontava 5,04%.

Na ata do último encontro do Comitê de Política Monetária (Copom), publicada no dia 25 de outubro, o Banco Central informou que a inflação projetada para 2016 no cenário de referência seguia em 7%. Para 2017, o cenário de referência projetava, de acordo com o BC, inflação em 4,3%, abaixo, portanto, da meta de 4,5%.

No relatório Focus, entre as instituições que mais se aproximam do resultado efetivo do IPCA no médio prazo, denominadas Top 5, as medianas das projeções para este ano melhoraram, passando de 6,97% para 6,83%. Para 2017, foram de 5,03% para 4,81%. Quatro semanas atrás, as expectativas eram de, respectivamente, 7,02% e 5,13%.

O Relatório não mostrou mudanças nas projeções para os preços administrados em 2016. A mediana das previsões do mercado financeiro para este indicador este ano seguiu em 6%.