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Porto Alegre, sábado, 22 de Setembro de 2018

  • 22/11/2017
  • 19:21
  • Atualização: 19:25

Dólar fecha no menor patamar em um mês

Moeda fechou em queda de 0,71%, a R$ 3,22, menor valor desde 20 de outubro

Moeda fechou em queda de 0,71%, a R$ 3,2286, menor valor desde 20 de outubro | Foto: Marcos Santos / USP Imagens / CP

Moeda fechou em queda de 0,71%, a R$ 3,2286, menor valor desde 20 de outubro | Foto: Marcos Santos / USP Imagens / CP

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O dólar permaneceu no campo negativo e chegou a bater cotações mínimas nesta tarde de quarta-feira, acompanhando o movimento da moeda americana no exterior e o cenário de maior apetite ao risco, influenciado ainda pela alta do petróleo. A divulgação da ata da última reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) do Federal Reserve (banco central dos Estados Unidos) acelerou a queda da divisa, que encerrou o dia no menor patamar em pouco mais de um mês. Já no âmbito doméstico, as notícias relacionadas a mudanças no ministério e à reforma da Previdência pautaram o humor dos investidores.

O dólar à vista fechou em queda de 0,71%, a R$ 3,2286, menor valor desde 20 de outubro, quando a moeda fechou a R$ 3,1898. O volume foi de 1,399 bilhão de dólares. Na mínima, chegou a R$ 3,2256 (-0,81%) e, na máxima, a R$ 3,2649 (+0,40%).

Nos últimos meses, dirigentes do Fed consideraram que as leituras baixas de inflação eram um fenômeno temporário e que desapareceriam ao longo do tempo. "Mas, pela primeira vez os membros do Fed não entraram em um consenso quando o assunto é inflação", afirmou Raphael Figueredo, sócio e analista da Eleven Financial. Segundo ele, a leitura é que pode haver menos elevações dos juros americanos no ano que vem do que as três previstas, o que favorece mercados emergentes, entre eles o Brasil.

A ata do banco central americano reforçou o sentimento dos investidores internacionais. "O mundo está surfando um bom momento para risco, e as moedas de emergentes estão se beneficiando desse cenário", afirma Pedro Paulo Silveira, economista da Nova Futura.

Antes da divulgação da ata, no câmbio doméstico, o dólar já vinha oscilando no campo negativo à espera do documento do Fed e da nova versão do texto da reforma da Previdência pelo seu relator, o deputado Arthur Oliveira Maia (PPS-BA), que detalhará os principais pontos às lideranças políticas em jantar no Alvorada.

"O detalhamento da nova versão da reforma da Previdência estará no radar dos investidores na quinta-feira", prevê Alessandro Faganello, operador de câmbio da Advanced Corretora. Entretanto, a liquidez deverá ser reduzida em função do feriado de Ação de Graças nos Estados Unidos.

Bovespa

Depois de três pregões consecutivos de alta firme, o Índice Bovespa perdeu fôlego nesta quarta-feira, 22, e sucumbiu a uma leve correção, comandada pelas ações do setor financeiro. O indicador fechou com recuo de 0,10%, aos 74.518,79 pontos. As principais influências para os negócios vieram do cenário internacional, que contou com alta das commodities e queda das bolsas de Nova York. O alerta da ata do Federal Reserve quanto à inflação fraca nos Estados Unidos deu algum alento na última hora de negociação, mas não o suficiente para promover uma alta.

Internamente, a intensa movimentação do governo em busca do apoio à reforma da Previdência foi acompanhada de perto, mas teve interferência limitada nas decisões do investidor.

Ao longo de todo o dia, as altas do petróleo e do minério de ferro garantiram desempenho positivo às ações da Petrobras e da Vale, fator que limitou a queda do Ibovespa por todo o pregão. Por outro lado, a realização de lucros em Nova York se refletiu nas ações de bancos brasileiros, que também acumulavam ganhos nos últimos dias. Assim, Petrobras PN e Vale ON subiram 1,32% e 2,03%, respectivamente, enquanto Bradesco PN e Itaú Unibanco PN perderam 1,13% e 0,97%.

"O governo mostra um esforço para aprovar a reforma da Previdência, mas a mobilização já foi precificada nos últimos pregões. Para haver uma nova reação positiva no mercado, são necessárias novidades mais concretas, como a definição de uma data da votação, por exemplo", disse Vladimir Pinto, gerente de renda variável da Grand Prix Asset.

Ao longo do dia, o noticiário concentrou-se em torno dos encontros do presidente Michel Temer com governadores e parlamentares e também na reforma ministerial. No dia da posse de Alexandre Baldy no Ministério das Cidades, o assunto mais comentado foi o cargo de ministro da Secretaria de Governo.

Embora o Palácio do Planalto tenha negado oficialmente, parlamentares da base falaram abertamente sobre a substituição do atual ministro, Antonio Imbassahy (PSDB-BA) por Carlos Marun (PMDB-MS). O vice-líder do governo na Câmara, deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS), disse que a posse de Marun poderá ficar somente para depois da votação da Previdência na Câmara.

Entre as ações que fazem parte do Ibovespa, as maiores quedas ficaram com as do setor de papel e celulose, afetadas pela quarta queda consecutiva do dólar. Suzano ON liderou as baixas do índice, com -3,88. Fibria ON (-3,44%) e Klabin Unit (-1,70%) também se destacaram. Já CSN ON (+3,80%) e Metalúrgica Gerdau PN (+2,90%) estiveram entre as maiores altas, sob influência do avanço de quase 5% do minério de ferro, que impulsionou os papéis da Vale.

Taxas de juros

Os juros futuros fecharam a sessão regular com taxas próximas da estabilidade. Após percorrerem a primeira etapa em alta, a pressão se dissipou no início da tarde desta quarta-feira, 22, em linha com a melhora vista no mercado de moedas de economias emergentes e no rendimentos dos Treasuries, que passaram a cair. Também à tarde, a cautela com a reforma da Previdência, que pautou o mercado pela manhã, parece ter perdido força.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2019 fechou estável em 7,19% e a taxa do DI para janeiro de 2020 passou de 8,42% para 8,43%. A taxa do DI para janeiro de 2021 terminou em 9,25%, mesmo nível do ajuste de terça-feira, e a taxa do DI para janeiro de 2023 encerrou em 10,03%, de 10,01%.

O mercado começou o dia dando sequência ao movimento visto no final da tarde de terça, após as declarações do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), de que o governo está longe de conseguir os 308 votos necessários para aprovar a reforma. Nesta quarta, pela manhã, Maia reiterou que ainda é preciso conversar com parlamentares para definir a viabilidade de se colocar na pauta da Casa a votação da reforma. "A gente não deve precipitar data se

não tivermos a clareza dos votos", justificou.

No começo da tarde, o mercado começou a melhorar, na medida em que o dólar passou a cair e também o yield dos Treasuries. Além disso, o ex-ministro das Cidades Bruno Araújo, ao deixar a reunião da Executiva do PSDB, disse que o partido não vai fechar questão sobre o apoio à reforma da Previdência, mas vai fazer "uma recomendação forte em apoio".

Ao mesmo tempo, o Planalto, segundo fontes, teria decidido por definir o deputado Carlos Marun (PMDB-MT) como novo ministro da Secretaria de Governo, no lugar de Antonio Imbassahy (PSDB). Marun é líder da tropa de choque de Temer na Câmara, o que pode ajudar na tramitação do texto. Oficialmente, porém, o Planalto afirma que Antonio Imbassahy continuará no cargo.

A expectativa agora gira em torno da apresentação da nova versão do texto pelo relator da reforma da Previdência, deputado Arthur Oliveira Maia (PPS-BA), que já mostrou os principais pontos aos governadores em reunião com o presidente Temer no final da manhã e mais tarde detalhará também às lideranças políticas em jantar no Alvorada. O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, confirmou que o novo texto terá um efeito fiscal equivalente a 60% da economia prevista originalmente na proposta do governo.


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