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Porto Alegre, quarta-feira, 14 de Novembro de 2018

  • 06/09/2017
  • 12:35
  • Atualização: 12:40

Inflação de agosto cai e acumulado do ano é o menor desde 1994

Índice de Preços ao Consumidor Amplo fechou o mês em 0,19%

Índice de Preços ao Consumidor Amplo fechou o mês em 0,19% | Foto: Alina Souza / CP Memória

Índice de Preços ao Consumidor Amplo fechou o mês em 0,19% | Foto: Alina Souza / CP Memória

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A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou agosto com alta de 0,19%, ante um avanço de 0,24% registrado em julho, informou na manhã desta quarta-feira, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A inflação de 0,19% em agosto fez a taxa acumulada em 12 meses recuar para o menor patamar desde fevereiro de 1999. A taxa também foi a mais baixa para meses de agosto desde 2010, quando esteve em 0,04%. Em agosto de 2016, o IPCA tinha sido de 0,44%.

Como resultado, a taxa acumulada em 12 meses diminuiu de 2,71% em julho para 2,46% em agosto, abaixo da meta estipulada pelo governo.

A taxa acumulada no ano de 2017, de 1,62%, é a mais baixa para o período de janeiro a agosto da série histórica do IPCA iniciada na implementação do Plano Real, em 1994.

Grupos

As famílias brasileiras voltaram a gastar menos com alimentação em agosto, pelo quarto mês consecutivo. O grupo Alimentação e Bebidas saiu de uma queda de 0,47% em agosto para um recuo de 1,07% no último mês, segundo os dados do IPCA.

"Nesse ano, alimentação tem ajudado bastante a arrefecer a inflação", declarou Fernando Gonçalves, gerente na Coordenação de Índices de Preços do IBGE.

Segundo o instituto, as reduções de preços ainda são resultado da safra recorde de grãos esperada para este ano no País. O grupo Alimentação, que responde por 25% das despesas das famílias, deu uma contribuição de -0,27 ponto porcentual para o IPCA de 0,19% de agosto. O recuo foi suficiente para anular o aumento de 1,53% nas despesas com transportes, que resultou em pressão positiva de 0,27 ponto porcentual na inflação do mês. "Não fosse o aumento em transportes o IPCA poderia ter ficado menor", ressaltou Gonçalves.

Os alimentos para consumo em casa ficaram 1,84% mais baratos. Os destaques foram feijão carioca (-14,86%), tomate (-13,85%), açúcar cristal (-5,90%), leite longa vida (-4,26%), frutas (-2,57%) e carnes (-1,75%).

Já a alimentação consumida fora de casa subiu 0,35% em agosto. Com exceção das regiões metropolitanas de Belém (-0,79%) e de Curitiba (-0,54%), as demais tiveram variações positivas, que foram desde um aumento de 0,03% em Belo Horizonte a um avanço de 2,49% em Salvador.

Combustíveis impactam sobre o índice

Os combustíveis ficaram 6,67% mais caros em agosto, o maior impacto positivo sobre a inflação do mês, o equivalente a uma contribuição de 0,32 ponto porcentual para a taxa de 0,19% registrada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). 

O litro do etanol ficou, em média, 5,71% mais caro em agosto, enquanto a gasolina aumentou 7,19%, em razão da elevação na alíquota do PIS/Cofins em vigor desde julho e da política de reajustes de preços dos combustíveis nas refinarias praticada pela

Petrobras.

Dentro do período de coleta do IPCA de agosto, foram anunciados 19 reajustes de preços da gasolina que, acumulados, resultam em um aumento de 3,40%. Os problemas climáticos nos Estados Unidos, que têm pressionado os preços dos combustíveis no mercado internacional em setembro, podem levar a novos repasses da Petrobras e repercutir mais uma vez no IPCA.

"A alta nos combustíveis pode afetar outros itens, via frete, por exemplo", disse Fernando Gonçalves, gerente da Coordenação de Índices de Preços do IBGE.

As despesas das famílias com Transportes passaram de 0,34% em julho para 1,53% em agosto, o que resultou num impacto de 0,27 ponto porcentual no IPCA do último mês.

A pressão só não foi mais intensa porque as passagens aéreas apresentaram uma queda de 15,16%, uma contribuição de -0,06 ponto porcentual, compensando parte dos impactos da gasolina (0,27 ponto porcentual) e do etanol (0,05 ponto porcentual).