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  • 14/01/2018
  • 09:18
  • Atualização: 14:37

Banco Mundial admite manipulação de ranking e Chile exige investigação

Dados sobre a competitividade chilena foram alterados por "motivações políticas" disse Paul Romer

Economista-chefe do Banco Mundial disse que rankings dos últimos quatro anos serão recalculados  | Foto: Eric Piermont / AFP / CP

Economista-chefe do Banco Mundial disse que rankings dos últimos quatro anos serão recalculados | Foto: Eric Piermont / AFP / CP

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  • AE e AFP

O Banco Mundial manipulou durante anos a metodologia de um de seus principais relatórios para influenciar o resultado do estudo, disse o economista-chefe da entidade, Paul Romer, ao jornal Wall Street Journal. Segundo ele, as modificações nos critérios parecem ter sido feitas por razões políticas.

As alterações atingiram o "Doing Business", que compara a competitividade dos países, e prejudicaram o desempenho do Chile, segundo o executivo. Romer disse que o Banco Mundial irá recalcular os rankings dos últimos quatro anos. A revisão pode modificar também a posição de outros países.

Diretor responsável pela produção do estudo durante o período em questão, Augusto Lopez-Claros está de licença do Banco Mundial. Ele é ex-professor da Universidade do Chile e atualmente é pesquisador na Universidade de Georgetown, nos Estados Unidos.

Segundo Romer, uma análise preliminar indicou que, nos últimos anos, a posição do Chile flutuou não pela piora nas condições do país, mas pela inclusão de novos indicadores para compor a metodologia do estudo. A posição do Chile flutuou do 25° lugar ao 57º lugar desde 2006. Durante a presidência da socialista Michelle Bachelet (2006 a 2010 e 2014 a 2017), a classificação do país caiu.  Já nos anos em que o conservador Sebastián Piñera comandou o país (2010 a 2014), o desempenho melhorou - Piñera assumirá a presidência de novo este ano.

O Brasil costuma ficar mal posicionado no ranking. Em 2017, ficou em 125°.

Chile exige investigação

Uma polêmica se instalou no Chile após Paul Romer revelar que o organismo teria alterado dados sobre a competitividade chilena por "motivações políticas". Michelle Bachele exigiu uma investigação do Banco Mundial sobre o assunto: "Dada a gravidade do ocorrido, solicitaremos formalmente ao Banco Mundial uma investigação completa. Os rankings administrados pelas instituições internacionais têm que ser confiáveis, já que têm impacto no investimento e desenvolvimento dos países", publicou Bachelet em sua conta no Twitter.

Romer pediu desculpas por ter manipulado "de forma injusta e enganosa" a lista, e anunciou que os números serão corrigidos. O economista-chefe do BM afirmou que a metodologia usada na elaboração do ranking foi alterada em diversas ocasiões, fazendo com que, nos últimos quatro anos, a competitividade do Chile tivesse resultados negativos.

"Estas revisões podem ser particularmente relevantes para o Chile, cuja posição no ranking tem sido especialmente volátil nos últimos anos e foi potencialmente afetada por motivos políticos da equipe do Banco Mundial", diz Romer na reportagem do jornal americano.

O ministro da Economia do Chile, Jorge Rodríguez Grossi, classificou o ocorrido como "um verdadeiro escândalo", já que a alteração, que prejudica apenas o país, constitui "uma verdadeira fraude". De acordo com Romer, durante o governo de Bachelet, a competitividade caiu do 33º lugar em 2015 para 120º um ano depois, pelas mudanças constantes na forma de medir o índice, e não pelas medidas econômicas adotadas pelo governo chileno.

Em meio a este cenário, o investimento estrangeiro no Chile caiu cerca de 40% em 2017, o pior nível desde 2006. O empresariado chileno sempre foi crítico do governo Bachelet, ante uma série de reformas sociais e econômicas que coloca em prática, o que criou um clima de desconfiança no mercado. Os empresários não esconderam seu apoio ao multimilionário de direita Sebastián Piñera, duro crítico da política econômica de Bachelet e que venceu as eleições presidenciais do ano passado.

Segundo o jornal americano, o ex-diretor do grupo responsável pelo relatório é o chileno Augusto López-Claros, ex-professor da Universidad de Chile, atualmente ligado à Universidade de Georgetown. "É curioso que o chefe do escritório que fazia este índice seja chileno (...) É de uma imoralidade poucas vezes vista", criticou o ministro Grossi.